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Da mulher "deliciosa" de Macron ao "recibo" de Sócrates - as gaffes linguísticas dos políticos

Sociedade

Emmanuel Macron, em Sydney, com o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull e a sua mulher, Lucy

LUDOVIC MARIN / GettyImages

O presidente francês fez uma tradução literal do francês para o inglês e acabou a elogiar a mulher do primeiro-ministro australiano de forma pouco ortodoxa. Mas não foi o primeiro a ser atraiçoado pela língua

É o chamado falso amigo, nome que não podia ser mais adequado: uma palavra estrangeira que nos soa tão próxima a outra na nossa própria língua que a usamos com toda a confiança, e com confiança falhamos rotundamente - porque afinal o significado não é o que julgávamos. E há poucas coisas mais humilhantes do que um falhanço confiante.

Foi o que aconteceu esta quarta-feira a Emmanuel Macron, durante uma visita de estado à Austrália. No final de uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro australiano, em Sidney, o presidente francês decidiu agradecer ao anfitrião e à sua "deliciosa mulher" - “Thank you and your delicious wife for your warm welcome” (Agradeço-lhe e à sua deliciosa mulher pela calorosa receção).

Algumas pessoas bem intencionadas sugeriram que o percalço linguístico de Macron já estava a pensar no almoço. Outras, mais maldosas, viram aqui um alusão à grosseria de Donald Trump para com a primeira-dama de França, o ano passado, ao dizer que Brigitte estava "em boa forma... Linda". Mas a explicação mais provável é mesmo o falso amigo: Macron terá usado a palavra "deliciosa" com a conotação francesa - délicieux, quando utilizado para pessoas, tem o significado de agradável.

Mas Macron, que até fala bem inglês, está longe de ser o primeiro político a cometer uma gaffe. Recordamos aqui outros.

"Infelizmente, não há recibo, recibo [receipt]... Percebem? Propostas científicas para o crescimento." - José Sócrates numa palestra na Universidade de Columbia, EUA, em 2010, a tentar explicar que não há uma receita ("recipe" e não "receipt") para o crescimento

"Lamento pelo tempo" (I’m sorry for the time) - Nicolas Sarkozy para Hillary Clinton, a querer falar do tempo meteorológico (que seria weather, em inglês) mas a sair-lhe outro tempo (time)

"Quero-te" - Tony Blair, então primeiro-ministro britânico, para Lionel Jospin, seu homólogo do outro lado do Canal da Mancha - Blair, que sabe falar francês, queria dizer "invejo-te" (Je vous envie), mas saiu-lhe “J’ai envie de vous" (quero-te)

"Desejo carnalmente os polacos" - Tradução muito livre que o intérprete de Jimmy Carter fez de uma frase sua na sua visita oficial à Polónia. O presidente dos EUA tinha dito "Vim aqui conhecer os vossos desejos para o futuro".