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Pela "qualidade de vida" do animal se vê a do dono

Sociedade

Uma coleira em que se pode gravar o número de telemóvel do dono, em ecrã LED

“Gadgets”, alimentação especial e personalização nos acessórios. A forma como os animais são tratados é o reflexo da vida dos donos

Sara Sá

Sara Sá

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Jornalista

Paco entra confiante na loja. 
O espaço é familiar e, além disso, já sabe que tem um mimo à sua espera. Maria Gaivão Sepúlveda, veterinária e uma das sócias da boutique Molly&Jack, em Lisboa, sabe como fazer um cão feliz e, de caminho, fidelizar um cliente. Maria fundou a marca com duas sócias, também veterinárias, assente num princípio visível em quase todos os produtos: a personalização. Materiais de boa qualidade, trabalhados por mãos de artesãos portugueses, transformam-se em acessórios exclusivos e feitos à medida. “O cliente pode escolher o tecido da cama [do cão] a combinar com a decoração do quarto.” Bolas, ossos e outros brinquedos também são feitos à mão, com os melhores materiais. 
A funcionalidade é outra das preocupações, até porque os animais de estimação fazem cada vez mais parte da família. “Vivem dentro de casa, juntamente com as pessoas. É importante facilitar esta convivência”, reforça. Na loja de móveis Ikea, a coleção de produtos para animais foi desenvolvida em cocriação com designers, amantes de animais e veterinários e também através da observação das diferentes rotinas de cães e gatos. Por exemplo, a tigela de alimentação controlada foi desenhada para se manter presa ao chão, graças a uma base antiderrapante, com centro elevado para que os cães comam pequenas porções de cada vez, evitando-se o enfartamento, para o qual têm uma certa tendência.

Miguel Carinhas, o vaidoso tutor de Paco, preocupa-se muito com a quantidade e sobretudo com a qualidade do que o golden retriever come. É por isso que prefere comprar-lhe toda a comida na Molly&Jack. Há ração natural, snacks vegetarianos, queijo sem lactose. “Valorizo sobretudo a ração sem grãos. É mais cara, mas a longo prazo compensa. Há menos doenças, menos diarreias e evitam-se idas ao veterinário”, diz Miguel Carinhas. “As pessoas dão cada vez mais importância à qualidade da alimentação, também nos animais”, sublinha outra das sócias, Inês Fonseca.

Na relação com os animais de estimação, os donos refletem as suas preocupações e afinidades. Para os amantes do ciclismo, a Buddy Rider lançou uma espécie de cesto que permite levar o fiel amigo nos passeios de bicicleta. Nesta lógica do mimetismo, é claro que os gadgets também tinham de lá estar. 
O forte são as aplicações e dispositivos que permitem seguir todos os passos do cão. Para evitar que este se perca mas também para controlar o nível de exercício, ou até o peso e a composição nutricional.

A grande novidade deste ano é a cama da marca Petrics, que regista os níveis de atividade e controla o peso. Noutro produto, a coleira da marca sul-coreana Neopop, pode gravar-se informação relevante, como o número de telemóvel do dono. A marca portuguesa Findster oferece um equipamento que funciona em todo o mundo, mesmo em zonas remotas – a empresa tem clientes em mais de 70 países, com a maior parte da clientela nos Estados Unidos da América. Ao cão fica ligado a um dispositivo, que permite a localização pela rede GPS, sem ser necessário haver ligação de telemóvel. Através de uma aplicação móvel, o tutor consegue seguir todas as patadas do cão, num alcance de 4,8 quilómetros. Para o sossego dos donos.

*com Sónia Calheiros