Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Médicos alarmados com "pior caso" de supergonorreia do mundo

Sociedade

Getty Images

Segundo o Serviço Nacional de Saúde britânico, a vítima é um homem que ficou infetado com um tipo de gonorreia resistente a antibióticos depois de uma viagem ao sudeste asiático

A ausência de eficácia do tratamento da gonorreia – uma combinação de azitromicina e ceftriaxona – fez soar os alarmes. Seguiram-se outros antibióticos, com o mesmo resultado.

"Esta é a primeira vez que um paciente apresenta resistência a esses medicamentos e à maioria dos outros antibióticos frequentemente usados", anunciou aos jornalistas Gwenda Hughes do Public Health England, uma agência do ministério britânico da Saúde. Tanto a Organização Mundial de Saúde como os Centros Europeus para o Controlo de Doenças concordam que este é um caso inédito a nível mundial.

A esperança está agora num último antibiótico, mas só daqui a umas semanas será possível avaliar se foi mesmo eficaz.

As autoridades britânicas adiantam que o homem ficou infetado com a superbactéria na sequência de relações sexuais não protegidas com uma mulher, durante uma viagem ao sudeste asiático, e que estão agora a tentar localizar outras parceiras sexuais do doente, numa tentativa de conter o alastramento desta supergonorreia.

Já desde 2015 que os médicos avisavam que a bactéria Neisseria gonorrhoeae, que causa a doença, podia deixar de responder a antibióticos por ser muito eficaz a ganhar resistência.

A gonorreia é transmitida por via sexual. É possível ter a doença e não manifestar sintomas claros (é o caso de 10% dos homens heterossexuais e de mais de 75% das mulheres e homens homossexuais), mas estes incluem corrimento purulento, dor ao urinar e perdas de sangue fora da menstruação.

Não tratada, a doença pode provocar infertilidade e em último caso levar mesmo à morte.