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Nuno Nazareth Fernandes expulso da maçonaria

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Compositor e escritor publicou no Facebook um texto com críticas sociais, incluindo a alguns maçons, e a direcão da obediência maçónica não gostou. ‘Para mim é uma honra e um privilégio ser expulso pela equipa de Júlio Meirinhos’, diz Nazareth Fernandes que nos anos 80 foi um dos nove fundadores desta maçonaria no País

Catarina Guerreiro

Catarina Guerreiro

Editora Executiva

Nuno Nazareh Fernandes foi, há uns dias, expulso da maçonaria, para onde entrou há 38 anos. Segundo o decreto do tribunal maçónico da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), que decretou o seu afastamento e a que a VISÃO teve acesso, tudo começou com uma participação do grão-mestre, Júlio Meirinhos, que não gostou do conteúdo de uns textos que o compositor e escritor publicou na sua página no Facebook. ‘Para mim é uma honra e um privilégio ser expulso, e pelos motivos evocados, pela equipa de Júlio Meirinhos e os seus funcionários’, diz à VISÃO Nazareth Fernandes, acrescentado: ‘Isso apenas pode significar que continuo a ser reconhecido como um verdadeiro maçon pela esmagadora maioria dos meus irmãos nacionais e estrangeiros’. Em causa está um texto, em estilo de crítica social, intitulado ‘Portugal dos Pequenitos’ que o compositor partilhou no Facebook. Nesse texto, publicado a 13 de Novembro de 2017, Nazareth Fernandes falou de vários acontecimentos, como o Web summit em Lisboa, o surto de legionella e o congresso da maçonaria. E, pelo meio, fez algumas críticas, nomeadamente à actual liderança da Grande Loja Legal de Portugal que dizia possuir ‘uma ignorância maçónica’ . Além disso, acusou alguns se serem ‘pseudo ‘irmãos’ que na sua prática profana são tudo menos maçons’. A direcção da GLLP não gostou e decidiu

instaurar um processo disciplinar. O tribunal maçónico alegou que Nazareth Fernandes revelou ausência de ‘sentimento fraterno’ por, no texto, ter tratado os ‘irmãos’ por ‘desmiolados’ e mostrou falta de respeito pelo grão-mestre por o ter apelidado de ‘pavão profissional’. A 14 de Fevereiro, Nazareth Fernandes recebeu uma notificação a anunciar que estava suspenso. Na resposta, o maçon alegou que o decreto do tribunal era um ‘delírio acusatório’, sublinhou que nunca se dirigiu ao grão-mestre, referiu que lhe ‘truncaram as informações’ e notou que se tratava de um texto irónico que os maçons inteligentes perceberam perfeitamente. Nesse documento de resposta, o escritor explicou ainda que não se revê atualmente nesta maçonaria e avisou que ele mesmo ia sair. ‘Sou eu que expulso sim esta pretensa Grande Loja de dentro de mim. Como dizem os ingleses I am out’, escreveu. Por isso, diz não perceber porque a 16 de março, os elementos do tribunal interno fizeram questão de elaborar um acórdão para o mandar embora. ‘Não entendo como se pode expulsar alguém de uma organização depois de claramente ela afirmar que se auto-exclui por se manter fiel aos princípios que nortearam a sua fundação e serem estes incompatíveis com a actual prática desta grande loja’.

Nazareh Fernandes foi, nos anos 80, um dos nove fundadores do que é hoje a Grande Loja Legal de Portugal – uma obediência reconhecida pela Grande Loja Unida de Inglaterra: Entrou primeiro, em Junho de 1980, para o Grande Oriente Lusitano, mas uns tempos depois saiu e com outros ‘irmãos’ fundou esta nova maçonaria, onde nos últimos tempos partilhava rituais na loja Sebastião da Gama.

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