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18 anos da revista Egoísta em 18 capas icónicas

Sociedade

É a publicação portuguesa com mais prémios internacionais e, número após número, conseguiu manter a irreverência e a capacidade de surpreender os leitores. Na edição de março, a Egoísta celebra 18 anos sem medo da maioridade

Diferente. Irreverente. Inovadora. Estes foram alguns dos adjetivos usados para descrever a revista Egoísta nas notícias que assinalavam o seu lançamento, no ano 2000. Dezoito anos depois, ganharam ainda mais sentido. A longevidade da publicação não lhe retirou pujança e, número após número, conseguiu manter vivo o elemento surpresa, a excelência dos seus conteúdos e o arrojo no design.

As diferenças desta revista temática saltaram sempre à vista: o papel é grosso, baço e reciclado, por oposição aos brilhantes papéis couché da maioria das revistas; o tipo de letra é de uma elegância esfíngica, criado propositadamente para a Egoísta; as capas ou determinadas páginas têm cortantes feitos à medida, criando jogos de duplas leituras (já foram buracos de balas numa capa sobre a Guerra ou uma faca sangrando num coração, no número dedicado à Traição).

Patrícia Reis faz sempre a edição final da revista com as provas alinhadas no chão do Atelier 004. Só assim consegue ver como os temas fluem, como se ligam, como se destacam.

Patrícia Reis faz sempre a edição final da revista com as provas alinhadas no chão do Atelier 004. Só assim consegue ver como os temas fluem, como se ligam, como se destacam.

DR

A criatividade das capas obrigou a própria indústria a testar os seus limites: como fazer aplicações de cerâmica em papel? Ou criar um rebuçado gigante com celofane? E imprimir em 3D? De todas as experiências realizadas, há uma que mereceu inúmeros prémios internacionais: no número dedicado à Liberdade, a capa da revista era inteiramente negra. O conceito, só por si, já era poderoso, mas uma pequena mensagem desconcertava os leitores...

"Para conhecer a nossa capa, coloque a revista durante 10 segundos no micro-ondas."

Não era nenhuma partida. Com o calor revelava-se uma citação de Clarice Lispector:

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome."

Cada edição da Egoísta tem um tema e as capas introduzem o leitor no universo onírico convocado a cada página

Cada edição da Egoísta tem um tema e as capas introduzem o leitor no universo onírico convocado a cada página

DR

A frase define também, de alguma forma, o espírito dos criadores da revista, a jornalista e escritora Patrícia Reis e o designer Henrique Cayatte. A incessante curiosidade e atenção aos novos talentos, conjugada com um profundo conhecimento dos clássicos e o respeito pelos consagrados permitiu à sua editora criar dezenas de encontros felizes nas páginas da Egoísta, combinando de forma única as várias matizes dos trabalhos de fotógrafos e escritores, artistas plásticos e músicos, ilustradores e atores, sempre com a cumplicidade do diretor Mário Assis Ferreira.

Todos os grandes nomes da cultura em português já publicaram na revista e escritores como Frank Ronan e Paul Auster escreveram contos inéditos para as suas páginas. Quem trabalha com Patricia Reis, no Atelier 004, depressa aprende que desistir de uma ideia à partida não é opção - é preciso acreditar em impossíveis. Foi assim que as fotografias de Annie Leibovitz se estrearam numa edição portuguesa ou que, em 24 horas, foram reunidos textos de Presidentes e Prémios Nobel para homenagear Nova Iorque, ferida de morte em 2001.

A Egoísta esteve em exposição no Louvre, incluída numa mostra das melhores revistas do mundo, e soma já 83 prémios - a maioria atribuída por instituições internacionais -, tendo sido distinguida nas áreas do jornalismo, design, edição, criatividade e publicidade, o que a torna numa das publicações mais premiadas da Europa.

A revista tornou-se um objeto de culto no mundo das Artes e as suas capas já estiveram em exposição no Louvre.

A revista tornou-se um objeto de culto no mundo das Artes e as suas capas já estiveram em exposição no Louvre.

DR

Lamentavelmente, o seu futuro é incerto. A revista já foi suspensa por duas vezes pela Estoril Sol, que financia o projeto (a lei do jogo determina que os casinos invistam uma percentagem dos seus lucros em atividades culturais), e já alterou a periodicidade diversas vezes. Contudo, em 2017 passou a ser uma edição bilingue, em português e inglês, o que lhe poderá abrir todo um novo mundo de fiéis leitores.

Esta semana publica-se a edição que celebra o 18º aniversário e no próximo trimestre está previsto o lançamento de um número dedicado ao tema "Fogo". Tal como a vida se vive um dia de cada vez, a Egoísta vai seguindo caminho, número a número, sem temer o momento do derradeiro ponto final.

"Editar a Egoísta ao longo destes 18 anos tem sido um privilégio e um desafio", diz Patrícia Reis. "A revista tem a idade do meu filho mais novo, encaro-a com o mesmo carinho no seu crescimento. É a prova de que a cultura, a literatura e a arte importam."

Veja 18 capas icónicas da Egoísta comentadas pela editora Patrícia Reis

Egoísta 01 | Frio / 2000 | A aventura Egoísta começou com a equipa da 004 e a supervisão do designer Henrique Cayatte. Neste primeiro número foi publicado um conto inédito de Vasco Graça Moura, poemas de Fernando Pinto Amaral, ilustrações de Jorge Colombo... uma mão-cheia dos maiores talentos nacionais.
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Egoísta 01 | Frio / 2000 | A aventura Egoísta começou com a equipa da 004 e a supervisão do designer Henrique Cayatte. Neste primeiro número foi publicado um conto inédito de Vasco Graça Moura, poemas de Fernando Pinto Amaral, ilustrações de Jorge Colombo... uma mão-cheia dos maiores talentos nacionais.

Egoísta 03 | Mulher / 2000 | No mesmo ano de estreia, a Egoísta publicou uma grande entrevista a Leonor Beleza, conduzida pela jornalista Maria Flor Pedroso, e um portfólio de Sebastião Salgado, entre outros textos e portfólios, apostando claramente numa versão artística e literária. A Egoísta era distribuída exclusivamente por direct-mailing e já começavam os pedidos para a comercialização.
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Egoísta 03 | Mulher / 2000 | No mesmo ano de estreia, a Egoísta publicou uma grande entrevista a Leonor Beleza, conduzida pela jornalista Maria Flor Pedroso, e um portfólio de Sebastião Salgado, entre outros textos e portfólios, apostando claramente numa versão artística e literária. A Egoísta era distribuída exclusivamente por direct-mailing e já começavam os pedidos para a comercialização.

Egoísta especial | Tributo a Nova Iorque / 2001 | Vinte e quatro horas depois do 11 de Setembro, a Egoísta lança uma edição de formato menor, de tributo a Nova Iorque. Seria a primeira edição a reunir vários prémios.
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Egoísta especial | Tributo a Nova Iorque / 2001 | Vinte e quatro horas depois do 11 de Setembro, a Egoísta lança uma edição de formato menor, de tributo a Nova Iorque. Seria a primeira edição a reunir vários prémios.

Egoísta 11 | Futebol / Entrevista a João Amaral / 2002 | Assumindo um discurso de vanguarda, embora serenamente clássico, a Egoísta volta a uma entrevista política, com o ex-militante do Partido Comunista Português, João Amaral. O desporto-rei é celebrado com vários textos de colaboradores de mão cheia, entusiastas do futebol (e nem por isso).
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Egoísta 11 | Futebol / Entrevista a João Amaral / 2002 | Assumindo um discurso de vanguarda, embora serenamente clássico, a Egoísta volta a uma entrevista política, com o ex-militante do Partido Comunista Português, João Amaral. O desporto-rei é celebrado com vários textos de colaboradores de mão cheia, entusiastas do futebol (e nem por isso).

Egoísta 14 | Portugal / 2003 | Três anos depois de ter chegado, a Egoísta opta por fazer um balanço do país com textos do presidente da República ao Cardeal Patriarca, à época Jorge Sampaio e D. José Policarpo, entre outros textos de vários quadrantes políticos. A edição tem um impacto significativo e, um ano depois, o Cardeal Patriarca convida para um pequeno-almoço informal alguns dos colaboradores desta edição para analisarem e fazerem um balanço do estado geral das coisas.
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Egoísta 14 | Portugal / 2003 | Três anos depois de ter chegado, a Egoísta opta por fazer um balanço do país com textos do presidente da República ao Cardeal Patriarca, à época Jorge Sampaio e D. José Policarpo, entre outros textos de vários quadrantes políticos. A edição tem um impacto significativo e, um ano depois, o Cardeal Patriarca convida para um pequeno-almoço informal alguns dos colaboradores desta edição para analisarem e fazerem um balanço do estado geral das coisas.

Egoísta 23 | 1945-2005 | Os 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial foram pretexto para uma edição que se caracterizou por ter uma capa com uma abordagem inovadora. A capa é da responsabilidade do designer e ilustrador Rodrigo Prazeres Saias e ganhou dois prémios internacionais. Para esta edição, tivemos um convidado especial: Paul Auster, o escritor norte-americano que nos escreveu a dizer: "Pena não saber ler português!"
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Egoísta 23 | 1945-2005 | Os 60 anos do fim da Segunda Guerra Mundial foram pretexto para uma edição que se caracterizou por ter uma capa com uma abordagem inovadora. A capa é da responsabilidade do designer e ilustrador Rodrigo Prazeres Saias e ganhou dois prémios internacionais. Para esta edição, tivemos um convidado especial: Paul Auster, o escritor norte-americano que nos escreveu a dizer: "Pena não saber ler português!"

Egoísta 29 | Paz / 2006 | Edição com capa dura e o maior número de páginas, esta Egoísta conta com colaborações tão distintas como as de Ramos Horta, líder timorense, ou de Agustina Bessa-Luís. A par com a edição dedicada ao Sexo, esta é a revista com mais prémios. Esta edição, tal como as anteriores, esteve exposta no Museu do Louvre, em Paris, numa mostra colectiva que pretendia divulgar o melhor do design europeu.
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Egoísta 29 | Paz / 2006 | Edição com capa dura e o maior número de páginas, esta Egoísta conta com colaborações tão distintas como as de Ramos Horta, líder timorense, ou de Agustina Bessa-Luís. A par com a edição dedicada ao Sexo, esta é a revista com mais prémios. Esta edição, tal como as anteriores, esteve exposta no Museu do Louvre, em Paris, numa mostra colectiva que pretendia divulgar o melhor do design europeu.

Egoísta especial | Agustina Bessa-Luís / 2007 | Agustina Bessa-Luís é celebrada pela Egoísta com um conjunto significativo de textos inéditos, desenhos e retratos de Alberto Bessa-Luís, o marido da escritora. Esta edição esgota em pouquíssimo tempo.
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Egoísta especial | Agustina Bessa-Luís / 2007 | Agustina Bessa-Luís é celebrada pela Egoísta com um conjunto significativo de textos inéditos, desenhos e retratos de Alberto Bessa-Luís, o marido da escritora. Esta edição esgota em pouquíssimo tempo.

Egoísta 40 | Crise / 2009 | Um ano depois do começo oficial da crise económica, a Egoísta reduz o seu tamanho até caber num bolso de uma camisa. Discutimos o quê? A crise e as várias facetas do bem e do mal.
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Egoísta 40 | Crise / 2009 | Um ano depois do começo oficial da crise económica, a Egoísta reduz o seu tamanho até caber num bolso de uma camisa. Discutimos o quê? A crise e as várias facetas do bem e do mal.

Egoísta 42 | Oriente / 2010 | Para celebrar o décimo ano, a Egoísta vira-se a Oriente e propõe uma capa 3D. Os textos ficaram a cargo de José Saramago, Hélia Correia, Gonçalo M. Tavares, Dulce Maria Cardoso, Nuno Júdice, Maria do Rosário Pedreira, João Tordo, Alexandra Lucas Coelho. E os portfólios, desta feita, são assinados por Roberto Giostra, Sandra Rocha, Luís Filipe Cunha, Paula Oudman, entre outros.
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Egoísta 42 | Oriente / 2010 | Para celebrar o décimo ano, a Egoísta vira-se a Oriente e propõe uma capa 3D. Os textos ficaram a cargo de José Saramago, Hélia Correia, Gonçalo M. Tavares, Dulce Maria Cardoso, Nuno Júdice, Maria do Rosário Pedreira, João Tordo, Alexandra Lucas Coelho. E os portfólios, desta feita, são assinados por Roberto Giostra, Sandra Rocha, Luís Filipe Cunha, Paula Oudman, entre outros.

Egoísta 43 | Liberdade / 2010 | Por esta altura, a Egoísta celebra 10 anos, muitos prémios nacionais e internacionais, e mantém-se a vontade de inovar. Num trabalho de parceria com a gráfica Norprint, a 004 começa a conceber diferentes capas e, por fim, optámos por ter uma capa preta que esconde a capa verdadeira, a que festeja o conceito de liberdade. Para a ver, bastava colocar a revista 20 segundos no micro-ondas.
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Egoísta 43 | Liberdade / 2010 | Por esta altura, a Egoísta celebra 10 anos, muitos prémios nacionais e internacionais, e mantém-se a vontade de inovar. Num trabalho de parceria com a gráfica Norprint, a 004 começa a conceber diferentes capas e, por fim, optámos por ter uma capa preta que esconde a capa verdadeira, a que festeja o conceito de liberdade. Para a ver, bastava colocar a revista 20 segundos no micro-ondas.

Egoísta 50 – Artistas / edição 50 / 2012 | Comemoramos os Artistas. Na 004, a produtora Sara Fortes da Cunha procura artistas alternativos dentro e fora de portas e, posteriormente, na edição a revista constrói-se num todo. Os artistas são os fotógrafos, os artistas plásticos, quem escreve poesia, prosa, banda desenhada. O novo e o velho, sempre com uma bitola máxima de qualidade. Depois desta revista ser distribuída, a crise chega à Egoísta e a publicação é suspensa.
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Egoísta 50 – Artistas / edição 50 / 2012 | Comemoramos os Artistas. Na 004, a produtora Sara Fortes da Cunha procura artistas alternativos dentro e fora de portas e, posteriormente, na edição a revista constrói-se num todo. Os artistas são os fotógrafos, os artistas plásticos, quem escreve poesia, prosa, banda desenhada. O novo e o velho, sempre com uma bitola máxima de qualidade. Depois desta revista ser distribuída, a crise chega à Egoísta e a publicação é suspensa.

Egoísta 51 | Poesia / 2013 | Em Dezembro de 2013, para retomar o projecto Egoísta, o grupo Estoril-Sol toma a decisão de fazer mais uma edição, desta feita com uma dupla mais-valia: oferta de Natal e divulgação habitual. Os poetas foram a nossa escolha, a Egoísta passou a um formato ao alto e o design manteve-se de topo, ganhando mais um prémio.
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Egoísta 51 | Poesia / 2013 | Em Dezembro de 2013, para retomar o projecto Egoísta, o grupo Estoril-Sol toma a decisão de fazer mais uma edição, desta feita com uma dupla mais-valia: oferta de Natal e divulgação habitual. Os poetas foram a nossa escolha, a Egoísta passou a um formato ao alto e o design manteve-se de topo, ganhando mais um prémio.

Egoísta 52 | Revolucionar / 2014| Quarenta anos do 25 de Abril vistos de outra forma? Sim, as fotografias que nos habituamos a ver, as fotografias do 25 de Abril de 1974 da autoria de Alfredo Cunha são explicadas ao pormenor, um exercício de memória e partilha deste fotógrafo cujos prémios nacionais e internacionais são incontáveis. Revolucionar assume este portfólio e ainda uma capa que reflecte o tempo, design da responsabilidade de Joana Miguéis.
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Egoísta 52 | Revolucionar / 2014| Quarenta anos do 25 de Abril vistos de outra forma? Sim, as fotografias que nos habituamos a ver, as fotografias do 25 de Abril de 1974 da autoria de Alfredo Cunha são explicadas ao pormenor, um exercício de memória e partilha deste fotógrafo cujos prémios nacionais e internacionais são incontáveis. Revolucionar assume este portfólio e ainda uma capa que reflecte o tempo, design da responsabilidade de Joana Miguéis.

Egoísta 55 | 2015 | Celebramos os 15 anos da revista Egoísta e os 70 prémios ganhos. Podia ser melhor? Não. Melhor seria pedir demais.
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Egoísta 55 | 2015 | Celebramos os 15 anos da revista Egoísta e os 70 prémios ganhos. Podia ser melhor? Não. Melhor seria pedir demais.

Egoísta 60 | Política / 2017 | Como viver a política no século XXI? O que aprendemos. O que desaprendemos. E, entre a ficção, os textos que reflectem a política à portuguesa, assim como uma entrevista ao Primeiro-Ministro.
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Egoísta 60 | Política / 2017 | Como viver a política no século XXI? O que aprendemos. O que desaprendemos. E, entre a ficção, os textos que reflectem a política à portuguesa, assim como uma entrevista ao Primeiro-Ministro.

Egoísta 61 | Televisão / 2017 | A primeira edição bilingue da Egoísta é uma aposta de futuro, considerando leitores estrangeiros, rendidos à universalidade da língua inglesa.
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Egoísta 61 | Televisão / 2017 | A primeira edição bilingue da Egoísta é uma aposta de futuro, considerando leitores estrangeiros, rendidos à universalidade da língua inglesa.

Egoísta 63 – 18 / 2018 | Chegar à maioridade obrigou-nos a reflectir sobre identidade, sobre a existência e a nossa missão que, ao longo de 18 anos, pouco se transformou: somos uma revista de cultura, com um pendor artístico e literário, é quem somos. E ainda bem.
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Egoísta 63 – 18 / 2018 | Chegar à maioridade obrigou-nos a reflectir sobre identidade, sobre a existência e a nossa missão que, ao longo de 18 anos, pouco se transformou: somos uma revista de cultura, com um pendor artístico e literário, é quem somos. E ainda bem.