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Relatório oficial confirma presença de pesticidas ilegais em produtos biológicos à venda em Portugal

Sociedade

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária encontrou resíduos de pesticidas em amostras de produtos biológicos recolhidas em 2016. Já o ano passado uma investigação da VISÃO detetara a presença de pesticidas proibidos em alimentos bio

A reportagem que fez a capa da VISÃO a 29 de junho de 2017 chocou muita gente: em 113 alimentos vendidos como biológicos analisados por um laboratório certificado, 21 continham vestígios de pesticidas não autorizados pela lei que regula o setor - incluindo uma couve com glifosato, numa quantidade 12 vezes acima do máximo permitido para produtos convencionais. Quase um ano depois, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária tornou público um relatório em que os bio também não passam na prova.

Durante o ano de 2016, a entidade recolheu e testou 23 produtos e encontrou resíduos de químicos sintéticos em dois deles (os fungicidas tiabendazol e boscalide, em cebolas e alhos-franceses, respetivamente). Ou seja, 9% dos alimentos analisados estavam ilegais. O relatório, finalizado em dezembro de 2017 e publicado há uma semana e meia, adianta que outros dois produtos (bananas e repolhos) revelaram também a presença de pesticidas, mas estes autorizados no setor.

Ou seja, apesar de em menor quantidade do que na investigação da VISÃO, quando 19% dos alimentos testados deram positivo a substâncias não autorizadas, este estudo confirma que o setor da agricultura biológica tem efetivamente joio no meio do trigo. As boas notícias é que nenhuma das quatro amostras ultrapassou o limiar de segurança definido pela lei (chamado Limite Máximo de Resíduos, LMR).

Naturalmente, os alimentos de agricultura convencional, onde se aplicam herbicidas, fungicidas e inseticidas em vários momentos da produção, revelaram a presença de mais pesticidas do que os bio: 1,67% excederam o LMR, 54,3% continham vestígios abaixo do LMR e 44% deram negativo à presença de químicos sintéticos. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária sublinha, no entanto, que há uma margem de segurança acima do LMR, pelo que, mesmo nos casos em que o valor foi ultrapassado, não significa que está em risco a saúde pública,