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Atalho contra o cancro: Cientistas criam mini-tumores em laboratório para testar tratamentos

Sociedade

Dan Kitwood/ Getty Images

Um grupo de cientistas britânicos conseguiu replicar em laboratório versões reduzidas de tumores, de forma a testar os tratamentos mais eficientes para cada um, em vez submeter os doentes ao atual processo de "tentativa e erro"

Cientistas do The Institute of Cancer Research (ICR) e do The Royal Marsden NHS Foundation Trust, ambos no Reino Unido, descobriram uma forma de replicar os tumores de pacientes oncológicos, de modo a testar a eficácia de vários medicamentos no seu tratamento.

Atualmente, a eficácia dos medicamentos anticancerígenos é apenas visível meses após o início do tratamento via tomografia computorizada (TAC), não havendo maneira de se saber mais cedo se os medicamentos estão ou não a funcionar.

Este procedimento permitirá aos médicos contrariar isso e prever os tratamentos que funcionarão para cada caso específico antes de estes serem postos em prática, evitando o método tentativa e erro e os efeitos secundários de medicamentos que não produzem efeito.

Investigadores do ICR e do The Royal Marsden concluíram que o método funciona com uma exatidão entre 88-100%, relatam num estudo publicado na revista científica Science.

“De momento, os médicos não sabem ver se um paciente vai responder ou não” aos medicamentos, diz Nicola Valeri, oncologista do Royal Marsden Hospital e principal autor do estudo, à Sky News.

“O tempo é crucial e com esta técnica conseguimos resultados quase em tempo real. É uma forma extremamente promissora de prever se uma droga vai ou não funcionar para um paciente”, afirma.

Os investigadores retiraram amostras dos tumores de 71 pacientes com cancros em fase avançada nos intestinos, no estômago e no fígado. As amostras foram depois colocadas num gel especial durante três a quatro semanas, o que as fez desenvolver e dividir-se em vários mini-tumores.

Um total de 55 medicamentos foi, então, testado em cada réplica, e o medicamento mais eficaz foi encontrado em pelo menos 88% dos casos.

“Este estudo demonstrou que testar medicamentos em réplicas de tumores antes de serem prescritos a pacientes não só é possível, como também prevê com mais exatidão como o paciente vai responder – melhor do que olhando apenas para o ADN do cancro”, conclui Paul Workman, presidente do ICR e coautor do estudo.

O investigador considera que este método terá uma especial importância para os pacientes com cancros em estado avançado, visto eliminar o tempo perdido com prescrições erradas.

Valeri acredita que a réplica em laboratório de tumores é uma forma “extremamente promissora” de fornecer “tratamentos verdadeiramente personalizados” aos pacientes. No entanto, adverte para a necessidade de mais investigações neste campo.

Os autores do estudo acreditam ainda que este método permitirá reduzir a necessidade de fazer experiências em animais e o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e menos agressivos para os pacientes.