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Jesuítas abrem-se à sociedade civil e perguntam: O que podemos fazer juntos?

Sociedade

O Portal do Jesuítas, lançado pela Companhia de Jesus, visa divulgar as atividades religiosas nas plataformas digitais e abrir um espaço de reflexão, sem olhar a credos, com a colaboração de todos

Clara Soares

Clara Soares

Jornalista

Sexta feira, dia 23 de Fevereiro, em tempo de Quaresma, é uma data que ficará na História da comunidade jesuíta portuguesa. O novo portal dá pelo nome de Ponto J e o local escolhido para a inauguração, ao final da tarde, foi o Café-Teatro da Comuna, em Lisboa. Entre as novidades do evento destaca-se a exibição de dois vídeos intitulados “Conversas Improváveis”, em que cada um dos protagonistas exercita o ir ao encontro, ao lugar do outro. A ideia é estabelecer pontos de contacto na diversidade, sendo este o mote para que o exemplo inspire outras conversas em sociedade, sem crispações nem dogmas.

Na primeira conversa, a eurodeputada Marisa Matias foi conhecer o trabalho da Irmã Júlia Bacelar, na congregação das Irmãs Adoradoras, seguindo-se a vez da religiosa visitar a sede do Bloco de Esquerda. Na segunda, a partilha de pontos de vista é feita entre o Padre Francisco Mota, ordenado há ano e meio e tendo a seu cargo o Centro Brotéria, no Chiado, e o jornalista e escritor João Miguel Tavares, que se define como um católico ateu para quem os jesuítas tiveram um papel muito importante aquando da sua vinda para a capital, nos anos 1990. “Tenho uma relação sentimental com os jesuítas, dado o seu papel na sociedade - hoje temos um Papa jesuíta - apesar de reconhecer que tenho muitas dúvidas e, até, uma posição contraditória e complexa face à Igreja”, esclarece João Miguel Tavares. E acrescenta: “Vivo numa sociedade laica e tenho o desejo de um Deus que não existe era bom que existisse.” No limite, é a exemplaridade que conta, porque “todos, independentemente de termos, ou não, crenças religiosas, unem-nos as necessidades espirituais”.

O Portal tem cinco áreas temáticas: fé, cultura, educação, justiça e política. Há um calendário de eventos, espaço para notícias, opinião e, acima de tudo, “um espaço aberto a todos os que queiram participar”. O padre José Maria Brito, diretor de comunicação dos jesuítas, admite que vivemos num clima tenso, extensível às redes sociais, e que “estava na altura de convidar gente de áreas diversas para pensarem em conjunto e conversas francas, sem receios, num registo temperado”. O encontro inaugural pretende ser uma demonstração da abertura de espírito, “sem sobranceria nem uma atitude fechada”. Trata-se de criar um lugar, presencial e digital, para acolher e refletir, mantendo vivo o espírito dos ensinamentos de Jesus, que ia ao encontro de pessoas tão díspares e alvos de preconceito e exclusão. que aparentemente não teriam qualquer ponto de contacto. “Daí a escolha do Café-Teatro, um espaço público que nos convida a sentar à mesa e a ir ao encontro do outro e crescer com ele”, remata.

O encontro vai estar disponível em streaming, no YouTube e no Facebook.