Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Cinco cidades portuguesas assinaladas em estudo inédito sobre alterações climáticas na Europa

Sociedade

Nuno Botelho

Secas, ondas de calor e inundações vão ser mais graves do que o previsto, concluiu uma investigação da Universidade de Newcastle, liderada por uma cientista portuguesa, sobre as consequências das mudanças no clima em 571 cidades europeias

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Aumento do número de dias de ondas de calor (esq.) e das temperaturas máximas nesses períodos (dta.), nos três cenários de alterações climáticas analisados (baixo, médio e elevado)

Aumento do número de dias de ondas de calor (esq.) e das temperaturas máximas nesses períodos (dta.), nos três cenários de alterações climáticas analisados (baixo, médio e elevado)

Mais ondas de calor por toda a Europa, secas de maior intensidade, sobretudo no Sul, e aumento das inundações provocadas por rios nas ilhas britânicas. Estas são algumas conclusões de um estudo da Universidade de Newcastle sobre os efeitos das alterações climáticas, na segunda metade do século XXI (2050-2100), em 571 cidades europeias. É mais grave do que se pensava: mesmo no cenário mais suave dos três avaliados, nenhuma vai escapar ao aumento do número de dias de calor extremo; nos países do Sul, as secas podem vir a ser até 14 vezes mais intensas do que a maior ocorrida no período comparativo (1951-2000).

Coordenado pela investigadora portuguesa Selma Guerreiro, especialista em hidrologia e alterações climáticas, este é o primeiro estudo do género a aplicar todos os modelos climáticos para prever anomalias ao nível das ondas de calor, secas e inundações, em todo o continente. Entre as cidades que vão enfrentar dois destes três fenómenos com uma intensidade “sem precedentes” surgem destacadas as portuguesas de Braga, Aveiro, Famalicão e Barcelos, que devem preparar-se para secas e inundações sem paralelo. Já Lisboa aparece a par de Madrid como as duas capitais europeias cujos períodos de seca se vão agravar de forma mais severa até ao final do século.

Apesar de as regiões do sul da Europa estarem adaptadas para lidar com secas, este nível de alterações pode ir para lá do ponto de ruptura”, alerta Selma Guerreiro, sublinhando a necessidade de a maioria das cidades europeias se preparar “para lidar com os riscos climáticos”.

O estudo, publicado esta quarta-feira no jornal científico Environmental Research Letters, será uma base de trabalho para a conferência do painel de alterações climáticas das Nações Unidas, que vai contar com representantes de várias cidades europeias, a fim de os sensibilizar para as medidas preventivas a aplicar. O encontro decorrerá em Paris, de 13 a 16 de março.