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Gigante do consumo ameaça sair do Facebook e do Google

Sociedade

O Facebook anunciou, no mês passado, uma mudança no seu algoritmo para passar a privilegiar os conteúdos de amigos e familiares

Reuters

A Unilever, uma das maiores empresas mundiais, que acabar com o “pântano” de notícias falsas e o discurso xenófobo, misógino e extremista

A multinacional Unilever, um dos gigantes dos bens de consumo (alimentos e artigos de higiene e limpeza) que detém mais de 400 marcas, entre elas algumas das mais valiosas do mercado como a Dove, Lipton, Knorr, Magnum ou Surf, deixa um aviso às plataformas digitais, nomeadamente ao Facebook e ao Google: “Não podemos continuar a sustentar a corrente digital... que às vezes é pouco melhor do que um pântano em termos de transparência”. Palavras de Keith Boss, director de marketing da empresa, num discurso que irá fazer hoje, mas a que CNN teve acesso.

Um dos maiores anunciantes do mundo, com verbas anuais para publicidade na ordem dos €8 mil milhões, dos quais 25% para o digital, está preocupada com a proliferação de conteúdos censuráveis que está a minar a confiança social e a pôr em causa as democracias e isso “não se pode ignorar”.

A esse “pântano” de notícias falsas, racismo, sexismo e extremismo a Unilever vai dizer não, deixando de anunciar em plataformas que criem divisões na sociedade ou que falham na proteção dos mais novos.

Assim como o Facebook e o Google são os grandes angariadores da publicidade digital, as empresas que lá anunciam já se mostraram insatisfeitas com o local onde são incluídas. O Google já esteve debaixo da pressão de várias quando estas descobriram que os seus anúncios era passados antes de vídeos no You Tube cujo conteúdo era “censurável”.

Já o Facebook tem sido criticado por deixar passar notícias falsas e, no mês passado, anunciou uma mudança no seu algoritmo para passar a privilegiar os conteúdos de amigos e familiares, identificando essas fontes como as que publicam conteúdos mais relevantes, em vez de posts de páginas dos meios de comunicação social. Isso levou a que, por exemplo, na semana passada o jornal brasileiro Folha de São Paulo, o de maior circulação no país, deixasse de atualizar a sua página do Facebook com novos conteúdos.

“As desvantagens de utilizar o Facebook como um caminho para essa distribuição [do jornalismo] ficaram mais evidentes após a decisão da rede social de diminuir a visibilidade do jornalismo profissional nas páginas dos seus clientes", referiu a direção do jornal, em comunicado. As mudanças no Facebook “reforçam a tendência de o utilizador consumir cada vez mais conteúdos com os quais tem afinidade, favorecendo a criação de bolhas de opiniões e a propagação de 'fake news' [notícias falsas]”, acrescentaram.