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O edifício mais preto do mundo

Sociedade

O edifício desenhado por Asif Khan

Luke Hayes/Hyundai

Um material desenvolvido por uma fábrica inglesa é o preto mais preto que há e serviu para transformar um pavilhão dos Jogos Olímpicos de Inverno num "buraco negro" pronto para atrair os visitantes

Numa altura em que o branco é a cor mais vista em Pyeongchang, na Coreia do Sul, onde na sexta-feira decorreu a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em que a neve cobre as pistas de ski e o gelo as de curling, há uma espécie de quadrado gigante que salta à vista de todos por ser… preto. “O preto mais preto” do mundo, dizem os cientistas da Surrey Nano Systems, a empresa inglesa de equipamentos industriais que desenvolveu a tinta mais preta que existe para ser usada na arquitetura.

Este gigante negro que se assemelha a uma caixa forte é apenas uma estrutura temporária feita a pedido da marca de automóveis sul-coreana Hyundai ao arquiteto britânico Asif Khan

E o que tem de especial este preto a que deram o nome de Vantablack Vbx2? Absorve 99,6% da luz que bater na sua superfície, fazendo com que as pessoas se sintam num buraco negro.

O material utilizado – de nome Vanta – é uma substância inventada para o uso espacial e em sistemas de defesa, como forma de reduzir a distorção atmosférica nos telescópios e cortar a refração da luz dispersa das lentes

A empresa Surrey criou muita polémica quando, em 2016, licenciou esta cor apenas para o escultor Anish Kapoor que a descreveu como “o material mais preto do universo… é como se pudéssemos desaparecer nele”. Vários artistas disseram que o propósito da arte não é ser egoísta, mas sim partilhar com os outros. O conceituado artista inglês Stuart Semple criou, em resposta, o “cor-de-rosa mais cor-de-rosa” que todos podem comprar na internet menos Anish Kapoor e, mais tarde, o “brilho mais brilhante” que qualquer um podia adquirir exceto… Anish Kapoor.

Asif Khan, que tinha algum material que conseguiu em 2013, ficou conhecido pelo “edfício selfie” que criou para os Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia. O edifício branco, também em forma de caixa, tinhas numa das faces um material que se metamorfoseava para as caras das pessoas que iam passando.