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Hospital Garcia de Orta declara guerra às falsas urgências

Sociedade

António Xavier

Projeto inovador que identifica universo de utentes que vão dez ou mais vezes por ano à urgência da unidade, aos quais é agora atribuído um plano alternativo de assistência pelos Cuidados Primários, está a ter um êxito surpreendente na redução do uso abusivo do serviço de emergência

Quando há seis meses o Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, iniciou o "Projeto High Users" (utilizadores frequentes/muito frequentes), que visa identificar os utentes que, em conjunto, se dirigem à sua urgência três a quatro mil vezes por ano, sem que a gravidade das situações o justifique, a direção da unidade não imaginava o êxito que seria alcançado num período tão curto. A surpresa é admitida à VISÃO pelo presidente do Conselho de Administração (CA) do HGO, Daniel Ferro: na primeira fase do projeto foram sinalizados e trabalhados cerca de 200 utentes, que em 12 meses tinham recorrido dez ou mais vezes à urgência do hospital. "Através do 'Projeto High Users', já conseguimos reduzir em 56% as idas dessas pessoas à urgência, percentagem que, confesso, espantou-nos", diz Daniel Ferro.

O projeto em causa, explica o presidente do CA do HGO, resulta de uma parceria multidisciplinar entre o hospital e o Agrupamento dos Centros de Saúde de Almada-Seixal, designada GRHU, ou Grupo de Resolução High Users. Em concreto, "é redesenhado para esses utentes um percurso alternativo, com um plano de assistência que passa por um maior apoio das equipas de família dos cuidados primários e da Segurança Social", diz Daniel Ferro.

Como se calcula, o HGO não escapa à praga das falsas urgências. Segundo os últimos números consolidados, relativos a 2016, o "uso inadequado" da urgência do hospital representou 45% das admissões, sendo estes utentes de todas as faixas etárias. Foram realizados 97 039 "episódios de urgência", um acréscimo de 9,8% em relação a 2015, mas as falsas urgências, na mesma comparação, aumentaram 17 por cento. "São situações que comprometem os atendimentos realmente urgentes e que originam uma subida de custos desnecessários", sublinha o presidente do CA do HGO.

Por isso arrancou o "Projeto High Users", que entra agora numa segunda e mais ambiciosa fase. Abrange 3 200 utentes identificados como tendo recorrido à urgência do HGO entre quatro a dez vezes em 12 meses. No final de 2018, informa Daniel Ferro, a meta que a unidade pretende alcançar passa por reduzir pelo menos em 50% as falsas urgências.