Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Facebook põe travão às marcas e às notícias. E diz que é para aproximar mais as pessoas

Sociedade

Jaap Arriens / GettyImages

Também a rede social criada por Mark Zuckerberg há 13 anos promete mudanças para 2018 – porque, não nos podemos esquecer, que o Facebook foi pensado para aproximar as pessoas e criar relacionamentos

O Ano Novo traz mudanças na rede social. Mark Zuckerberg quer garantir que o tempo que todas as pessoas gastam no Facebook seja um tempo de qualidade. “Construímos o Facebook para ajudar as pessoas a permanecerem ligadas e próximas de quem é importante para nós. É por isso que sempre colocámos amigos e familiares no centro da experiência. A pesquisa mostra que o fortalecimento dos nossos relacionamentos melhora o nosso bem-estar e felicidade”, esclareceu o empresário americano num post publicado esta quinta-feira.

Gradualmente, o Facebook irá dar prioridade aos conteúdos publicados por familiares e amigos em detrimento de publicações que tenham informação de empresas, marcas ou meios de comunicação. É uma maneira de, como já tinha dito no aniversário da rede social, em fevereiro passado, fomentar a comunidade. Há um ano que no Facebook estão a trabalhar na alteração do algoritmo para oferecer aos utilizadores o que lhes interessa.

O fundador do Facebook explicou que estas alterações querem valorizar a experiência na rede social, sem as pessoas desperdiçarem tempo. “Ultimamente recebemos comentários da nossa comunidade de que o conteúdo público – publicações empresariais, de marcas e dos media – está a desviar a atenção de momentos pessoais que nos levam a estar mais ligado com os outros ", explicou no seu perfil. Também admitiu que os vídeos e o conteúdo promocional de empresas cresceu muito nos últimos anos, daí que existam mais publicações deste tipo do que as pessoais de amigos e familiares.

Esta não é a primeira vez que o Facebook procura reequilibrar o site em prol de amigos e familiares. Em 2016, a empresa anunciou que ia favorecer as publicações partilhadas por pessoas que cada usuário conhece, em vez de as compartilhadas por páginas de editoras e outros negócios. Também em 2015, introduziu mudanças que reduziram o alcance de páginas a favor de amigos e familiares.

Zuckerberg destaca vários estudos académicos que apontam que esse desequilíbrio não é positivo para a experiência no Facebook. “As investigações mostram que quando usamos as redes sociais para nos relacionarmos com outras pessoas, o nosso bem-estar causa impacto. Podemos sentir-nos mais ligados e menos sozinhos e isso tem uma relação direta com os índices de felicidade e saúde a longo prazo.”

Ser um utilizador passivo, lendo outros artigos ou vendo vídeos, mesmo que sejam divertidos ou informativos, pode não trazer grandes benefícios. Mas quem quiser ver os conteúdos das páginas pode carregar em “ver primeiro” nas preferências para assegurar que não perde nada das suas páginas favoritas.

Neste momento, o Facebook tem de satisfazer as empresas, os meios de comunicação e as organizações que confiaram na sua plataforma para criar uma comunidade. Não só com a criação ativa e publicação de conteúdos, mas também investindo em anúncios para ganhar visibilidade e aquisição de usuários.

Em setembro de 2017, o Facebook publicou que tem mais de 1 370 milhões de perfis ativos diários, de um total de 2 070 milhões que o fazem pelo menos uma vez por mês. Estas mudanças são um piscar de olho ao Instagram, que com 800 milhões de usuários ativos por mês e 500 milhões por dia, deve agradecer as alterações.