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Transplantes capilares com efeito secundário inesperado: Será o fim das enxaquecas?

Sociedade

D.R.

Seis pessoas que sofriam de enxaqueca nunca mais tiveram qualquer sintoma depois de se terem submetido a um transplante de cabelo. O resultado é tão surpreendente que ainda só se suspeita da razão pela qual isto acontece

Cátia Leitão

Um estudo na Turquia concluiu que os pacientes fizeram transplantes de cabelo deixaram de ter enxaquecas, mesmo quando estas faziam parte da sua vida, nalguns casos, há vinte anos.

A enxaqueca, um tipo de cefaleia ou dor de cabeça, é caracterizada por períodos de dor muito intensos, geralmente acompanhados por náuseas ou vómitos e intolerância à luz e ao som e é provocada por uma combinação de processos a nível cerebral: excitação/depressão de células, dilatação de artérias e libertação de substâncias químicas. A enxaqueca, de um modo geral, inicia-se entre os 15 e os 40 anos.

Entre janeiro de 2011 e maio de 2012, a clínica turca SO-EP Aesthetic & Plastic Surgery, realizou 221 transplantes capilares. Um dos pacientes revelou que tinha deixado de ter enxaquecas depois de se ter submetido a este tipo de transplante e a clínica decidiu dar início ao estudo para perceber se este fenómeno era registado nos restantes pacientes. Das 150 pessoas que entraram neste estudo ao responder a um inquérito sobre enxaquecas, apenas seis sofriam desta condição - uma mulher e cinco homens. A participante do sexo feminino tinha 32 anos, sofria de alopecia - redução parcial ou total de pelos ou cabelos numa determinada área de pele, e tinha enxaquecas há seis anos. Os participantes do sexo masculino sofriam com alopecia androgenética, determinada geneticamente, e registavam enxaquecas há um mínimo de 6 e um máximo de 20 anos.

A frequência das enxaquecas dos inquiridos era entre quatro a oito dias por mês, numa média de seis dias e durava entre três a cinco horas, numa média de três horas. Numa escala de intensidade, as pessoas que sofriam de enxaquecas queixaram-se de um nível de dor entre cinco a oito, sendo dez o nível máximo de dor. A enxaqueca não tem cura, mas pode ser controlada através de medicação que ajuda a reduzir a frequência, duração e intensidade das crises. Todos os participantes deste estudo recorriam a medicação para aliviar a dor antes de se submeterem aos transplantes capilares.

Depois do transplante capilar, os seis pacientes foram seguidos de três em três meses presencialmente ou pelo telefone. Todos eles deixaram de ter enxaquecas e nenhum deles voltou a usar medicação. A intensidade da dor passou de uma média de seis para zero, assim como a frequência das crises.

Não foi ainda esclarecida a razão pela qual os transplantes capilares estão relacionados com as enxaquecas, mas os especialistas acreditam que a cirurgia pode destruir terminações nervosas no couro cabeludo, reduzindo os sinais que desencadeiam a dor visto que as zonas de implantação capilar e de foco de dor numa enxaqueca são as mesmas.

Safvet Ors, autor do estudo, disse ao The Sun que "a melhoria pós-operatória foi drástica em cada paciente. Como resultado deste estudo, o transplante capilar em pacientes com perda de cabelo e que sofram deste tipo de cefaleias pode ser uma alternativa aos tratamentos para as enxaquecas".

O estudo foi publicado no jornal Plastic and Reconstructive Surgery - Global Open.