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Meghan Markle: Ela tinha quase tudo para dar errado

Sociedade

Chris Jackson/ Getty Images

O príncipe Harry vai casar com uma atriz americana, divorciada, de origem africana e educação católica. “So what?”, perguntam os súbditos, rendidos à ideia de mais uma princesa plebeia

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Tetraneta de escravo

Meghan orgulha-se de ser uma mulher multirracial, filha de uma afro-
americana que usa rastas no cabelo e de um caucasiano arruivado. A mãe, Doria Radlan, é psicoterapeuta e instrutora de ioga, e o pai, Thomas 
W. Markle, é diretor de iluminação em televisão com um Emmy no currículo. Um seu tetravô materno era escravo em plantações na Geórgia, tendo sido emancipado com a abolição da escravatura, em 1865. E, do lado paterno, há sangue holandês, inglês, irlandês e escocês. Logo no início do seu namoro com Harry, no verão de 2016, a Casa Real emitiu um comunicado oficial a deplorar os comentários racistas por parte de alguma imprensa e das redes sociais.

Grace Kelly II?

Estudou Teatro durante o curso de Relações Internacionais, e ainda na universidade estreou-se como atriz num episódio de General Hospital, uma série de televisão popular nos EUA. Fez carreira sobretudo no pequeno ecrã, onde interpretou até recentemente a solicitadora Rachel Zane, 
na série Suits. 
Mal anunciou, 
em outubro, que não entraria na oitava temporada, as casas de apostas começaram a especular sobre o seu noivado com o príncipe.

Uma mulher divorciada

A primeira vez 
que disse “I do” foi em 2011, ao casar com o produtor de cinema americano Trevor Engelson, na Jamaica. Na primavera, repetirá a frase provavelmente na Abadia de Westminster e em direto para o resto do mundo. 
A Igreja de Inglaterra aceita divorciados e a rainha Isabel II alterou há dois anos a norma que obrigava os membros da família real a serem anglicanos. Embora tenha estudado em colégios católicos, Meghan não será sequer batizada.

Modelo e humanitária

Entre março e abril deste ano, Meghan deixou de publicar fotografias no Instagram (onde mantém uma conta) e de twittar (idem). E até fechou o blogue de lifestyle The Tig, onde escrevia sobre moda, beleza, comida e viagens. Pelas fotografias e legendas que sobrevivem nas redes sociais dá para perceber que até há pouco tempo os seus dias giravam muito à volta de roupa e acessórios (foi modelo e desenhou algumas peças), lugares (Toronto, Califórnia, Londres e praias paradisíacas) e cozinha (é uma foodie assumida). Mas hoje é o seu lado humanitário que mais brilha – é embaixadora da campanha da World Vision Clean Water canadiana e ativista pela igualdade do género.

(Artigo publicado na VISÃO 1291 de 30 de novembro)