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Há 222 Lenines portugueses

Sociedade

YURI KADOBNOV/ Getty Images

Acredita que há mais madeirenses com o nome do líder da Revolução russa do que alentejanos, historicamente associados ao comunismo?

Andam aí e talvez fossem suficientes para desencadear um arremedo luso da Revolução Bolchevique. Para comemorar os 100 anos que agora passam sobre esse marco histórico, simulariam a tomada do Palácio de Belém, que faria as vezes do Palácio de Inverno de Petrogrado, assaltado pelos bolcheviques a 7 de novembro (23 de outubro pelo calendário russo) de 1917. Ao mesmo tempo, emulariam o vitorioso líder comunista que os seus nomes evocam. Mas não há notícia de que os 222 portugueses que se chamam Lenine se reúnam, sequer, num almoço anual.

Os dados obtidos pela VISÃO junto do Instituto dos Registos e do Notariado mostram que os nossos Lenines se espalham de Norte a Sul do Continente, por distritos de nascimento. Até no top 6, que está como se segue, por ordem decrescente: Lisboa (74), Setúbal (32), Porto (24), Leiria (dez), Faro (nove) e Évora (oito).

Mas a grande surpresa aparece no confronto entre Lenines madeirenses e alentejanos, estes nascidos num bastião solidamente comunista. Embora pela margem mínima, os da Madeira vencem: são 14, contra os 13 do Alentejo, distribuídos pelos oito já referidos de Évora, mais três de Portalegre e dois de Beja.

Também os Açores têm um bom número de Lenines para apresentar - dez. Mais abaixo estão Castelo Branco (sete), Viseu (seis), Santarém e Coimbra (cinco cada um), ou Viana do Castelo e Aveiro (quatro cada um).

Pela sociologia política e religiosa que se conhece do País, não deixa igualmente de surpreender que Vila Real e Braga ofereçam quatro Lenines (dois por cada um dos distritos - os mesmos que Beja!). Já na Guarda, há apenas um resistente Lenine ali nascido.

Resumindo para encurtar razões, Lenine (1870-1924), o erudito e homem de ação, características que raramente convergem numa só figura, executor da "ditadura do proletariado", sobrevive em Portugal por interpostos homónimos. Apesar dos pesares.