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Infeção obriga Noruega a abater milhares de renas

Sociedade

JONATHAN NACKSTRAND

A infeção está, por enquanto, circunscrita a uma única região na Noruega, mas é a primeira vez que é registada na Europa

Estará a chegada do Pai Natal, marcada para o próximo fim de semana nos principais centros comerciais do País, comprometida? Em princípio, não. Mas o seu principal meio de transporte já viu melhores dias. Fantasias de Natal à parte, em Nordfjella, na Noruega, na passada terça-feira, 7, foram mortas 19 renas, de um universo de 1 500, com o intuito de remover a doença emaciante crónica que apenas afeta cervídeos, como as renas, os veados e os alces, e foi detetada pela primeira vez na Noruega e na Europa em 2016. Esta doença do grupo das encefalopatias espongiformes transmissíveis, do qual fazem também parte a BSE dos bovinos, a Scrapie dos ovinos e a doença de Creutzfeldt-Jacob no Homem, afeta o cérebro dos animais, tornando-o esponjoso, conduzindo-os à morte. Os principais sintomas da doença nos animais infetados são a perda de condição corporal, andamentos repetitivos, descoordenação motora, tremores, sonolência, falta de apetite, aumento da ingestão de água e da quantidade de urina e salivação excessiva.

Já em maio deste ano, o governo norueguês tinha autorizado o abate de um rebanho de cerca de duas mil renas para erradicar a doença contagiosa que tem infetado estes animais. Para evitar que a doença, que já existe na América do Norte, se propague pela Europa, as autoridades de segurança alimentar norueguesas e o Ministério da Agricultura do país decidiram abater o rebanho onde foram detetadas três renas infetadas.

Agora, um vídeo de 50 segundos da Agence France-Presse mostra imagens de paisagens brancas, devido à neve, com homens vestidos com macacões brancos e segurando sacos de plástico pretos e várias renas mortas a serem içadas ao mesmo tempo. Os animais são transportados para a base instalada em Breistølen, no município de Lærdal, para amostragem. Primeiro são colocados na “zona suja”, de acordo com as regras de proteção de contágio. Só depois são feitos exames cerebrais e amostras de linfa dos animais. Além disso, também removem o maxilar inferior, que será usado para determinação da idade. As amostras serão enviadas para o Instituto Veterinário e todos os animais serão marcados e mantidos até que os resultados estejam prontos.

Os caçadores foram enviados para o terreno para iniciar a erradicação das aldeias de Nordfjella. Até maio de 2018 esperam ter capturado os 1 500 animais existentes na zona.

“Estamos a tentar eliminar uma doença animal perigosa. É a primeira vez que é registada esta doença na Europa”, diz Hallgeir Herikstad, coordenador da iniciativa. Foram examinadas mais de 20 mil renas e é só em Nordfjella e só nesses animais que encontrámos este agente infeccioso.”

"Há indícios de que o vírus não está presente noutras zonas, mas não sabemos. É por isso que é importante continuar a fazer testes”, diz Pal Prestrud, da autoridade norueguesa para a monitorização da natureza.