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No dia em que a casa veio abaixo

O alemão Kin Thiessen leva-nos numa visita guiada ao que resta do que era a sua casa especial, situada num sítio mágico no concelho de Arganil. À exceção das paredes, tudo o que estava no seu interior foi feito por ele. Agora está em cinzas

Não foi a primeira vez que Kin Thiessen viu a casa que construiu durante sete anos no chão. Mas foi a primeira vez que lá levou as três filhas pequenas. Antes, e durante quase 15 dias, ele e a mulher Beth prepararam-nas para o embate. Mas nunca ninguém está preparado para ver o local onde se nasce e se é feliz desfeito, transformado num cenário de guerra. Mesmo quando se é criança e, ao descobrir-se alguns despojos intactos, se faz imediatamente do lugar da desgraça uma aventura.

A dor desta família de emigrantes ingleses (Kin é alemão, mas morava no sul de Inglaterra há muito tempo), que trocou uma vivência britânica por um pedaço de vale na pequena aldeia de Benfeita, concelho de Arganil, é incomensurável. Há oito anos que o casal acampou neste terreno pela primeira vez e rapidamente deitou mãos à recuperação da ruína que lá estava. Durante seis meses viveram numa caravana enquanto edificavam as paredes, mas depressa se mudaram para a casa, mesmo que as janelas ainda fossem apenas pedaços de plástico. As três filhas, com idades entre os 4 anos e os 9 meses, já nasceram lá dentro. E cresceram em liberdade, sempre no meio da natureza. Os pais, ele artista musical, ela artista plástica, viviam com pouco, mas felizes por estarem num local onde podiam dar largas ao seu modo de estar alternativo, sem julgamentos.

Entretanto, arrastaram o pai de Kin e a mãe de Beth para este paraíso português, para que também fizessem parte da harmonia familiar. Vivem a dois passos e as casas não saíram danificadas depois do incêndio de dia 15 de outubro.

Como pessoas positivas que são, tentam agora encontrar alguma esperança neste pesadelo, nem que seja na estátua do buda que se salvou, ou nas uvas que se mantêm penduradas no alpendre orientado para o chamado vale da felicidade, onde vivem outras tantas famílias de estrangeiros com histórias idênticas à de Kin e Beth.

Para ajudar a reerguer o sonho desta família em Portugal, alguns amigos criaram-lhe um crowdfunding a partir de Inglaterra, porque cada cêntimo faz a diferença, venha ele de lá ou de cá: viste-os aqui e aqui.

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