Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Manuel Maria Carrilho condenado a quatro anos e meio de prisão com pena suspensa

Sociedade

Arquivo TV Mais

Para o tribunal não restou qualquer dúvida de que o ex-ministro da Cultura agiu com dolo, revelando total ausência de arrependimento, nos vários crimes de violência doméstica perpetrados contra a sua ex-mulher, Bárbara Guimarães

"Fica provada a ofensa à integridade física e psicológica, e que o arguido não alterou a sua conduta, continuando a exaltar-se, a desculpar o seu comportamento e a ter ações agressivas. Agiu com dolo e não mostra arrependimento. Não me parece que tenha futuro nesse caminho. A pena é esta. É tudo".

Após a leitura do acórdão, a juíza presidente do coletivo do juízo 22 do Tribunal da Comarca de Lisboa deu como provado que Manuel Maria Carrilho tinha, em diferentes ocasiões de 2014, difamado, ameaçado, injuriado e agredido a ex-mulher, Bárbara Guimarães, delitos que se enquadram no crime de violência doméstica. Além de ter sido condenado a uma pena suspensa de quatro anos e meio de prisão, o ex-ministro da cultura fica ainda obrigado a pagar-lhe 50 mil euros de indemnização, a frequentar um curso para agressores e ainda proibido de a contactar.

Da análise crítica da prova concluiu-se que as entregas dos filhos de ambos na casa da mãe eram sempre situações tensas. Que ela o recebia assustada e com medo. Que ele demorava imenso tempo, exigindo vê-la. Que lhe repetia impropérios como "analfabeta" e "louca". Que fazia questão de a insultar com a filha ao colo. Que era visível a conflitualidade e a inexistência de preocupação com os filhos. Que o seu principal intuito era maltratá-la. Que "não tens vergonha, vais ver o que te vai acontecer" são expressões suas registadas pelo sistema de som e videovigilância...

Além disso, ouviu-se ainda naquela sala, o filho reconhecera que "o arguido proferia impropérios à frente e da irmã". Que na tal noite de maio de 2014 ficou provado que ele lhe entrara em casa e não que ela saíra, deixando os filhos sozinhos, como ele alegara. Enfim, que "as versões do arguido não merecem qualquer credibilidade, acentuando-lhe "a crueldade e humilhação" dirigidas à ex-mulher. E ali se apontou ainda "a cobardia das mensagens anónimas", enviadas a Ernesto "Kiki" Neves, à época namorado de Bárbara. Enfim, que esta estratégia de "o ataque é a melhor defesa" não surtiu efeito.

"Esperava o que aconteceu, fez-se justiça", sublinhou Pedro Reis, advogado da apresentadora da SIC. Já Carrilho, assegurou o seu representante vai recorrer.