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Incêndios: As queimadas continuam

Sociedade

Rui Duarte Silva

Uma habitante de uma vila perto de Soure, no centro do País, avisou repetidamente as autoridades que uma vizinha estava a fazer uma queimada, tanto no sábado como ontem, quinta-feira. Nada aconteceu e hoje de manhã a mesma vizinha decidiu continuar com as queimadas – que são apontadas por muitos especialistas como as principais causas dos incêndios de domingo

Por volta das quatro da tarde de sábado, 14, o marido de Maria Vassilieva, Ricardo, saiu de casa, na vila de Alfarelos, Soure, distrito de Coimbra, e reparou no fumo que vinha do terreno de uma vizinha, contíguo a outros. A septuagenária estava a fazer uma queimada, apesar de estas terem sido proibidas até ao final de outubro, devido às condições climatéricas. "Avisou-a que não podia fazer aquilo, mas ela não ligou", recorda a tradutora, de 42 anos. Ricardo seguiu, então, para o quartel de bombeiros mais próximo, na localidade de Granja do Ulmeiro, e dirigiu-se à funcionária que encontrou. "Ela disse-lhe para ele não se preocupar, que ela ia avisar alguém. Mas o meu marido ficou dez minutos à porta à espera e ninguém saiu."

Ontem, quinta-feira, aconteceu o mesmo. "A minha filha chegou da faculdade e disse-me que a tinha visto outra vez a fazer uma queimada", conta Maria Vassilieva. "Liguei para os bombeiros da Granja do Ulmeiro e ninguém atendeu. Liguei para os de Soure e atendeu-me um bombeiro que me disse que aquilo não era competência deles, era da GNR. Telefonei então para a GNR de Soure, e foi aí que me disseram que já tinham recebido muitas denúncias das povoações daqui. Que tem sido uma loucura." Depois disso, a tradutora tentou também ligar para ao SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente, da GNR), mas, ao fim de 12 minutos em espera, desligou.

Maria (que tem particular medo das chamas porque há anos perdeu uma casa num incêndio, devido a um curto circuito) não sabe se alguém levantou um auto à vizinha, ou se chegaram sequer a falar com ela. Mas a verdade é que, diz, hoje de manhã, sexta-feira, ela voltou a fazer uma queimada. "O fogo, no domingo, andou aqui a 12 quilómetros. Esteve em Condeixa, na Tocha, na Figueira da Foz... As pessoas não têm consciência", lamenta.

A VISÃO contactou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Soure, que confirmou que recebeu a denúnca, mas que informou que o caso era da competência da GNR, por se tratar de um terreno privado. "Dissemos à senhora que ela podia fazer a queixa na GNR", assegura João Paulo Contente. Da GNR de Soure recebemos a informação de que chegaram efetivamente várias denúncias de queimadas nos últimos dias e que, nesses casos, os militares se têm deslocado aos locais para levantar autos aos prevaricadores.

Prevê-se que nos próximos dias as temperaturas voltem a subir até aos 30 graus, com o risco de incêndio a aumentar já amanhã.