Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Seis novas armas no combate a incêndios

Sociedade

Bombeiros do Dubai voam com a ajuda de propulsores de água para melhor combaterem incêndios

Bombeiros que voam impulsionados por água, uma bola que explode para apagar as chamas, carros comandados à distância. Como a tecnologia está a abrir caminho a abordagens alternativas para uma luta mais eficaz contra os fogos

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

O combate aos incêndios é muitas vezes missão impossível para os bombeiros - como Portugal continua a testemunhar neste verão trágico. Um pouco por todo o mundo, graças aos avanços tecnológicos, desenvolvem-se novas ideias para facilitar o trabalho dos soldados da paz. Estas são inovações que prometem marcar o futuro, algumas ainda em fase de estudo, outras já a operar no terreno.

Carros de bombeiros teleguiados

China, Austrália, Japão, França, Estados Unidos, Holanda… As versões de carros de bombeiros conduzidos por controlo remoto – sim, como aqueles brinquedos telecomandados que as crianças adoram – multiplicam-se em vários países, deixando antever uma solução para usar em larga escala, num futuro não muito longínquo. Além de conseguirem aceder a locais mais remotos, têm a grande vantagem de enfrentar incêndios sem que os bombeiros precisem de colocar a vida em risco. Equipados com câmaras, permitem chegar perto das chamas e bombear grandes quantidades de água para apagar o fogo. Em alguns destes países já estão ao serviço dos bombeiros; noutros ainda se encontram em fase de testes. No vídeo que se segue, pode ver-se em ação o robô que ajuda os bombeiros de Paris.

Bombeiros a voar

Para lidar com incêndios em pontes, barcos ou nas margens do Golpe Pérsico e outros cursos de água, os bombeiros do Dubai contam com uma nova arma desde o início deste ano: um sistema de propulsão que usa a força da água para os elevar até ao melhor ponto de combate às chamas. A tecnologia permite fazê-los voar, literalmente, a vários metros de altitude, com a mais-valia adicional de a mangueira abastecer diretamente do curso de água. A deslocação para o local do fogo é realizada através de motos de água, como se pode constatar neste vídeo do governo do Dubai.

Visão térmica com mãos livres

Desde o ano passado que corporações de bombeiros dos Estados Unidos da América começaram a usar uma máscara facial com visão térmica incorporada, que lhes permite identificar pessoas em cenários de fogo que de outro modo não conseguiriam ver, por causa das chamas ou do fumo. A grande inovação do Scott Sight, assim se chama este aparelho, não é a câmara térmica em si, mas o facto de as imagens se reproduzirem diretamente num pequeno monitor colocado no interior da máscara de respiração, que possibilita aos bombeiros terem as duas mãos livres. Antes, as câmaras térmicas no mercado obrigavam ao manuseamento por parte dos bombeiros, o que os limitava no combate aos incêndios ou em missões de salvamento.

As imagens térmicas surgem num monitor posicionado sobre o lado direito, no interior da máscara

As imagens térmicas surgem num monitor posicionado sobre o lado direito, no interior da máscara

A bola que explode para apagar incêndios

A bola extintora Elide Fire chegou recentemente a Portugal. É uma invenção do cientista indiano Phanawatnan Kaimart, que em 1997 sobreviveu a um fogo num hotel onde morreram quase cem pessoas. Desde então, dedicou-se a criar um produto capaz de ser utilizado por qualquer pessoa para eliminar pequenos focos de incêndio. O resultado é uma bola, com pouco mais de um quilo, que explode em poucos segundos ao entrar em contacto com as chamas. Como um extintor, contém um pó eficaz no combate às chamas, num raio até 8 a 10 metros quadrados. Tanto pode ser atirada para a zona do fogo como ser previamente posicionada em locais onde existe o perigo de deflagrar um incêndio. O vídeo em baixo mostra os testes realizados pelo representante do produto em Portugal, em colaboração com os bombeiros voluntários da Malveira.

Robôt humanóide

O departamento de ciência e tecnologia da marinha americana está a desenvolver um bombeiro-robô autónomo para combater incêndios em navios. A máquina já é capaz de identificar um fogo e eliminá-lo, mas ainda são necessários mais testes - para melhorar a mobilidade em espaços reduzidos, por exemplo – antes de o Saffir (Shipboard Autonomous Firefighting Robot) ficar apto para entrar em ação.

Saffir, o protótipo do bombeiro-robô da marinha americana

Saffir, o protótipo do bombeiro-robô da marinha americana

Drones que lançam "ovos de dragão" para queimar mata e prevenir fogos florestais

Queimar arbustos e vegetação rasteira nos meses de inverno é uma estratégia antiga de prevenção de incêndios florestais. O que é novo é a possibilidade de utilizar drones para monitorizar zonas verdes de difícil acesso e aí iniciar fogos, nesses meses de frio, para eliminar mato que é altamente combustível quando o calor aperta. Um drone desenvolvido na Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos da América, tem a capacidade de lançar com precisão esferas inflamáveis, do tamanho de bolas de pingue pingue e conhecidas por ovos de dragão, para atearem fogo em áreas pré-definidas, com vista a precaver incêndios de grandes proporções no período de verão. A NASA e a Administração Federal de Aviação dos EUA aprovaram testes ao aparelho no ano passado.

Drone com "ovos de dragão" em fase de testes na Universidade de Nebraska-Lincoln, nos EUA

Drone com "ovos de dragão" em fase de testes na Universidade de Nebraska-Lincoln, nos EUA