Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Incêndios: Governo decreta estado de calamidade pública

Sociedade

Lucília Monteiro

A decisão justifica-se pelo alto risco de incêndios nas regiões Centro e Norte e alguns concelhos do distrito de Beja e sotavento algarvio.

O Governo anunciou hoje, em comunicado, que vai declarar estado de calamidade pública face à previsão do agravamento nos próximos dias do risco de incêndio, nos distritos do interior das regiões Centro e Norte e alguns concelhos do distrito de Beja e sotavento algarvio.

A decisão ocorre no dia em que Bruxelas disponibilizou 45 milhões a Portugal para ajudar a lidar com o pós-incêndios no Centro. A Comissão Europeia aprovou uma mudança do Programa Regional da Política de Coesão, para permitir "uma reorientação dos fundos" na sequência de um pedido português.

Esta reorientação "ajudará a região Centro a retomar o seu curso normal e ajudará os portugueses a virar a página deste capítulo doloroso", afirmou comissária europeia para a política regional, Corina Cretu, no final da votação.

"A UE [União Europeia] está pronta para reforçar o seu apoio quando e onde os europeus mais precisam", assegurou a comissária.

Do montante disponibilizado, 25 milhões de euros poderão ser usados "para restaurar a capacidade de produção das empresas locais, incluindo equipamentos e máquinas que tenham sido destruídas nos incêndios", explica a Comissão Europeia em comunicado.

Além disso, 20 milhões de euros "poderão ser investidos em serviços públicos e no restauro das infraestruturas críticas como reparos nas estradas, restauro dos sistemas de distribuição de água ou substituição de veículos de transporte municipais", adianta.

Dois grandes incêndios começaram no dia 17 de junho em Pedrógão Grande e Góis, tendo o primeiro provocado, pelo menos, 64 mortos e mais de 200 feridos. Ambos foram extintos uma semana depois.

Estes fogos terão afetado aproximadamente 500 imóveis, dos quais mais de 200 eram casas de primeira habitação.

Os prejuízos diretos dos incêndios ascendem a 193,3 milhões de euros, estimando-se em 303,5 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas que consumiram 53 mil hectares de floresta.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.

"Quero expressar a nossa sincera solidariedade para com os portugueses, numa altura em que os incêndios florestais continuam a devastar o país. Também gostaria de manifestar a nossa profunda gratidão àqueles que, em Portugal e no resto da Europa, lutam incansavelmente contra as chamas", disse Corina Cretu.

Segundo a Comissão, Portugal continua a ser apoiado pelo Mecanismo Europeu de Proteção Civil no combate aos incêndios florestais que decorrem no país.

Desde 12 de agosto, depois de um segundo pedido de Portugal este ano, o Centro de Coordenação de Emergência da Comissão Europeia enviou mais de 160 bombeiros, 27 veículos e 4 aeronaves de combate a incêndios.

com Lusa