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Advogado de Bárbara Guimarães: "[Carrilho] Nunca reconhecerá o seu erro se não tiver uma condenação exemplar" 

Sociedade

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O Ministério Público deu os factos como provados. O advogado de Bárbara pediu pena efetiva. O julgamento do segundo processo por violência domestica, referente aos factos ocorridos depois do divórcio, segue no fim do mês, com a defesa de Manuel Maria Carrilho

A conversa de bola entre advogados antes do início da sessão não deixa antecipar as palavras duras que hão de se seguir. Estamos no oitavo andar de um dos blocos de tribunais do Parque da Justiça, em Lisboa, e Pedro Reis, advogado de Bárbara Guimarães, já nos avançara, antes de entrar: "Vou pedir a prisão efetiva."

Entra o coletivo de juízes. Trata-se de um segundo processo de acusação por violência doméstica, e também ofensas caluniosas e difamação, crimes cujas penas previstas, em conjunto, são superiores a cinco anos, daí este julgamento estar entregue a um coletivo – ao contrário do primeiro processo, entretanto suspenso devido a novo pedido de incidente de recusa da juíza, Joana Ferrer.

Carrilho é o primeiro a falar. "Reconheço que este tribunal tem feito um esforço grande mas não há como negar que é tudo uma manipulação, uma falsificação", começa por dizer. É interrompido pelos juízes:

- Ó senhor arguido! Julgava que ia rebater os factos que lhe são imputados e que lhe dizem respeito.

O advogado de Carrilho intervém, para orientar as declarações, a rebaterem o testemunho do pedopsiquiatra Pedro Strecht, na manhã desta sexta, sobre a ida do filho Dinis a uma consulta, levado pela mãe. "Chamou-me lá e disse-se muito preocupado com o meu filho porque ele roía a camisola. Ora, eu também roía camisolas, se fossemos todos ao psiquiatra por isso..." Para depois rematar que o filho "precisa de muita coisa (amor, calma, atenção) mas não precisa de pedopsiquiatra nenhum" - e que hoje tem excelentes notas e dá-se bem com os amigos.

- Estamos novamente a afastar-nos da matéria..., lembra o coletivo.

Paulo Sá e Cunha, o avogado de Carrilho, procura desculpar: "Já vimos que o meu constituinte está um bocadinho exaltado".

Segue a Procuradora do Ministério Público, que avisa logo ao que vem, e começa por desfazer o suspense. "Entendemos ter como provados todos os factos aqui apresentados. Tudo nos revelou credibilidade." Desde as tentativas de protelar a entrega dos menores, e filhos de ambos, Carlota e Dinis, a cenas em que o constituinte se mostrara visivelmente exaltado. "Confirmam-se os factos existentes na acusação, elevando a ansiedade, tristeza e medo persistente em que Bárbara Guimarães vivia." Relata que tudo era consistente, desde o depoimento da assistente [Bárbara também se fez assistente neste processo] aos insultos que as testemunhas presenciaram", que incluem termos como "puta, cabra, vaca, bêbada..." - os leitores desculpem mas o francês não é meu...

E isto inclui entradas forçadas em casa de Bárbara e violação do código e mensagens do seu telemóvel, manipulando o filho, ou agressões físicas e verbais na festa do colégio dos filhos, perante outros alunos, pais e professores. E ainda as mensagens ameaçadoras enviadas, anonimamente, para o telemóvel de Kiki Neves, então namorado de Bárbara. "Conjugado com o que o arguido disse em varias entrevistas, batia tudo certo."

Para o Ministério Público davam-se por provadas as agressões, o crime de injúrias e ainda os 14 crimes de difamação, ali apresentados. A agravar, "o total desrespeito pela mulher e mãe dos seus filhos", que traduz uma "conduta condenável" porque "trouxe para a praça pública assuntos que só visavam perturbá-la, magoá-la".

Mas seria o advogado de Bárbara a pedir uma pena efetiva: " [Carrilho] Nunca reconhecerá o seu erro se não tiver uma condenação exemplar", justificaria, depois de o Ministério Público concluir: "Entende-se que a pena a aplicar deve ser de quatro anos, de pena suspensa, subordinada ao pagamento de uma quantia e frequência obrigatória de curso para agressores."

Durante perto de duas horas, Pedro Reis, advogado de Bárbara, elencou os factos que o Ministério Público deu como provados, tudo o que Carrilho havia feito para "agredir, injuriar e enxovalhar a mãe dos filhos". Ali se ouviram ainda expressões como "irresponsável, louca, desequilibrada".

"Parece um filme, mas foi o que se passou", concluiu Pedro Reis, antes de pedir sete anos de prisão – e no entretanto recordou-nos que ele até lhe dissera "és uma Varela Bis", a aludir ao caso da primeira mulher de Carrilho, Joana, a quem ele chamara de demente, e que também assumiu, nos jornais, que era espancada por ele. Nesse caso, Carrilho também conseguiu tirar a custódia do filho à mãe. Mas hoje José Maria já não se dá com ele..."Reclamo uma pena efetiva", repetiu o advogado da apresentadora.

E ainda se ouviram as mensagens com conteúdo impróprio, que o advogado de Kiki Neves haveria de reproduzir, para todos saberem do que se tratava. "Querido K, podes f..., chupar-lhe o silicone, serás capado, não escaparás" - e outros dois, do mesmo género.

Pediria uma indemnização monetária, antes da sessão ser dada como finalizada, para recomeçar no dia 27, com as alegações da defesa. No seu entender, não havia razões para não ser breve. "Leem-se estas mensagens e percebemos logo o que está aqui em questão."