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Hospital que tem insistido em desligar as máquinas de bebé acha "certo" avaliar "novos dados"

Sociedade

Reprodução Facebook

O Great Ormond Street Hospital considera que vale a pena explorar as propostas que os hospitais internacionais têm apresentado como alternativa ao desligar das máquinas que mantêm o pequeno Charlie vivo, num caso que está a comover o mundo

Em comunicado, o hospital em Londres onde está internado Charlie Grand desde os dois meses de vida diz que as "alegações de novas provas" em relação ao tratamento do bebé, considerado em estado terminal, levaram a instituição a pedir uma nova audição em tribunal.

Charlie sofre uma doença mitocondrial, uma síndrome genética raríssima e incurável, que provoca a perda da força muscular e danos cerebrais - é apenas o 16º caso em todo o mundo.

"Dois hospitais internacionais e os seus investigadores comunicaram-nos nas últimas 24 horas que têm novas provas sobre os tratamentos experimentais que propõem", informa o Great Ormond Street Hospital, considerando que "está certo" explorar estas provas".

O hospital pediátrico do Vaticano enviou uma carta à instituição britânica a apelar aos médicos que reconsiderassem um tratamento experimental, alegando que houve "melhoras clínicas dramáticas" tanto em ratos como em humanos com uma doença parecida à de Charlie.

Também um hospital de Nova Iorque anunciou estar disposto a "admitir e avaliar Charlie, desde que sejam tomadas as providências para o transferir em segurança, as barreiras legais sejam ultrapassadas e recebam uma aprovação de emergência da FDA para um tratamento experimental".

À saída do hospital, na sexta-feira, a mãe, Connie Yates disse sentir-se agora "esperançosa e confiança de que Charlie tenha uma hipótese".

Segundo o serviço nacional de saúde britânico, o bebé tem danos cerebrais irreversíveis, não se mexe, vê ou ouve e tem também problemas graves no coração, fígado e rins. A equipa médica que o assiste defende, por isso, o desligar dos aparelhos, contra a vontade dos pais.

Chris Gard e Connie Yates tem lutado judicialmente para obter permissão para levar Charlie para os Estados Unidos para receber um tratamento experimental, mas, no dia 27 de junho, a justiça britânica decidiu que isso apenas prolongaria o sofrimento da criança sem oferecer possibilidade de cura, uma decisão apoiada pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

No comunicado, o hospital de Great Ormond Street recorda que a decisão do tribunal proíbe expressamente a transferência de Charlie para procurar tratamento noutra instituição, pelo que é necessário recorrer novamente à justiça para permitir a análise das alegações dos dois hospitais internacionais embora, sublinham, a posição dos médicos britânicos se mantenha inalterada.