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Museu Nacional de Arte Antiga: Em 30 anos perdeu metade dos seus vigilantes

Sociedade

José Carlos Carvalho

Neste momento, no segundo museu mais visitado do país há 12 pessoas de baixa e sete de férias. Restam 14 para vigiar as principais coleções de arte antiga do país. Até novas contratações, que não vão acontecer até ao final da próxima semana, as portas estão praticamente fechadas

Foi há pouco mais de seis meses que um turista que visitava o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, derrubou um oitocentista arcanjo São Miguel, enquanto recuava para tirar uma fotografia. Na altura, levantou-se a hipótese de o acidente ser fruto da escassez de vigilantes. Nada se provou, mas, por vias das dúvidas, reforçou-se a equipa com mais três pessoas, em resultado de um concurso. Mas a VISÃO soube que, em simultâneo, foram retirados igual número de seguranças externos, pelo que o efetivo se mantém, desde então, em 25 vigilantes que pertencem aos quadros - metade do que eram em 1987. A este número, acrescem 7 pessoas do Centro de Emprego e um segurança externo, de uma empresa privada.

Estas 33 pessoas são responsáveis por vigiar 80 salas, duas portarias, os bengaleiros, a loja, o auditório, a biblioteca e o jardim do segundo museu mais visitado no primeiro trimestre deste ano (50 mil visitantes anuais). Em 1987, quando havia 50 vigilantes no quadro, o museu tinha menos 10 salas abertas ao público e um número incomparavelmente menor de turistas.

Perante esta situação, e quando estão 12 pessoas de baixa - garantem-nos que não é um protesto - e 7 de férias, não admira que o museu se tenha visto obrigado a fechar, desde a semana passada, os pisos 1 e 2, onde estão peças de mobiliário português, artes decorativas francesas, ourivesaria, arte da expansão e cerâmica. O piso 3 encerra também do meio-dia às três da tarde. É lá que se encontra a coleção de pintura e escultura portuguesas, de onde se destacam os famosos painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves.

A Direção-Geral do Património Cultural, que tutela este e outros museus, garante que desencadeou, no início da semana passada, o processo de contratação externa de vigilantes, para "repor a normalidade". Mas como tem de obedecer aos procedimentos normais da contratação na administração pública, não haverá novos vigilantes - quantos? - até ao final da próxima semana. No entretanto, o museu continuará quase de portas fechadas.