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Facebook: Violência contra mulheres e ruivos, sim. Contra Trump, não

Sociedade

Dan Kitwood /Getty Images

Se os critérios do que pode ou não ser partilhado na rede social já são alvo de muita polémica, uma investigação do The Guardian promete alimentar o debate. Estas são algumas das regras que Facebook segue para decidir o que os seus 2 mil milhões de utilizadores podem partilhar

Censura versus liberdade de expressão é um drama antigo mas cada vez mais acentuado no Facebook. Ainda no início do mês, Mark Zuckerberg anunciou que estava a contratar mais de 3 mil pessoas para ajudar a rever os milhões de denúncias que recebem semanalmente. O volume é de tal ordem, que muitas vezes os moderadores têm "apenas 10 segundos" para tomar uma decisão.

O jornal britânico teve acesso a mais de 100 documentos e manuais internos que permitem uma perspetiva sem precedentes dos critérios usados pelo Facebook para lidar com conteúdos que incluam violência, discursos de ódio, terrorismo, pornografia, racismo, auto-mutilação e mesmo canibalismo.

A rede social recusou confirmar a autenticidade das revelações do The Guardian, mas também não a pôs em causa.

Estas são algumas das regras:

Violência

- Frases como "alguém dê um tiro a Trump" deverão ser apagadas, porque Trump é Presidente e está, por isso, numa categoria protegida. Mas pode escrever-se "para agarrar o pescoço de uma gaja, tens de garantir que fazes toda a pressão no meio da garganta" ou "vai-te f.... e morre", porque não são vistas como uma ameaça direta, como uma "expresão violenta de desagrado e frustração". Da mesma forma, "é melhor rezarem que eu mantenha o juizo porque se o perder vou, literalmente, matar CENTENAS de vocês", não será apagado. E "dá um pontapé a um ruivo" também não.

- Vídeos de mortes violentas deverão ser assinalados como "perturbadores" mas não têm, necessariamente, de ser apagados, porque podem ajudar a aletar para questões como as doenças mentais; "Achamos que os menores precisam de proteção e os adultos de escolha".

- Algumas fotos de abuso físico de crianças (mas não sexual) ou bullying também podem passar desde que não haja um elemento "sádico ou de celebração". A ideia é permitir que o material seja partilhado até a "criança poder ser identificada e resgatada";

- Imagens de animais a ser vítimas de abusos podem ser partilhadas;

Nudez:

- Esta é uma das áreas mais controversas, depois de o Facebook apagar imagens, por exemplo, de mulheres a amamentarem e, mais polémico ainda, retirar uma foto icónica da Guerra do Vietname porque mostrava uma criança nua. Imagens como essa já são permitidas ao abrigo de uma exceção dependente do "valor noticioso";

- "Nudez infantil no contexto do Holocausto" continua a ser proibida;

- Arte feita à mão que mostre sexo ou nudez é permitida, mas se for feita digitalmente já não;

- Vídeos de abortos são permitidos, desde que não haja nudez;

Auto-mutilação e suicídio:

- O Facebook admite a transmissão em direto de tentativas de auto-mutilação ou suicídio porque "não quer censurar ou punir pessoas em sofrimento";