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Economia da energia na Pordata Europa

Sociedade

Peter Nicholls / Reuters

A Pordata passou a disponibilizar informação sobre o comportamento dos setores económicos no consumo de energia e emissões de gases com efeito de estufa, perante a riqueza gerada, em Portugal e na Europa

A Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), passou a disponibilizar informação sobre o comportamento dos setores económicos no consumo de energia e emissões de gases com efeito de estufa, perante a riqueza gerada, em Portugal e na Europa. A chamada “Economia da Energia” passa a ser incluída no tema “Ambiente, Energia e Território” e conta com informação desde 1995 relativa aos 28 países da União Europeia, onde se inclui Portugal, bem como informação relativa aos principais sectores de actividade económica.

“Nas últimas duas décadas tem aumentado de forma significativa a necessidade de avaliar a eficiência na utilização da energia e as opções de alternativas energéticas com menos impacto nas alterações climáticas”, afirma a Pordata em comunicado, após o apoio da Associação Portuguesa de Economia da Energia (APEEN) na construção destes indicadores.

A energia é um dos fatores determinantes na competitividade das atividades económicas e a causa maior das emissões de gases com efeito de estufa. Nas últimas duas décadas tem aumentado de forma significativa a necessidade de avaliar a eficiência na utilização da energia e as opções de alternativas energéticas com menos impacto nas alterações climáticas.

Os indicadores de economia de energia são instrumentos simples e eficazes que mostram a evolução dos sectores de actividade económica, em termos do uso da energia e das emissões geradas: por exemplo, uma evolução decrescente da intensidade energética e carbónica (menos energia consumida ou menos emissões geradas, por unidade de valor produzida, respetivamente) significa que aumenta a eficiência energética e a descarbonização da atividade económica. Pelo contrário, uma evolução crescente dos indicadores ao longo do tempo aponta para a necessidade de adoptar opções mais eficientes e limpas no que diz respeito ao uso de energia. Dado que o consumo de electricidade de fonte renovável tem sido apontada como uma das opções mais custo-eficazes para melhorar a eficiência e a descarbonização das atividades económicas, o indicador relativo à intensidade elétrica é um instrumento a ter em conta.

Por isso, a Pordata Europa passa a partir de agora a incluir no tema “Ambiente, Energia e Território” uma área sobre Economia da Energia para os 28 países da União Europeia. São mais 12 quadros que passam a integrar este novo subtema com dados que se iniciam em 1995 e se prolongam até à actualidade. Os indicadores agora disponibilizados mostram a evolução dos sectores de actividade económica, em termos do consumo de energia e das emissões de gases com efeito de estufa geradas face à riqueza económica criada (PIB).

Esta nova área Economia da Energia tem por base os dados produzidos por entidades oficiais com competências nas áreas, e é o resultado de uma colaboração entre a Pordata e a APEEN, instituição premiada na edição do ano 2016 do Prémio Pordata Inovação.

A APEEN por intermédio do novo grupo de Novas Estatísticas da Energia (NEE) submeteu dois indicadores ao prémio PORDATA inovação em 2016, tendo ganho o 2º lugar com o indicador de intensidade carbónica da economia. Posteriormente, a APEEN foi desafiada a contribuir com novos indicadores relacionados com energia para o acervo dos já existentes no PORDATA. Desta colaboração surgiu um novo subtema de economia da energia na base de dados Europa, tendo o mesmo sido anunciado publicamente no dia 9 de maio de 2017 aquando da realização da conferência anual da APEEN em Lisboa. A APEEN, criada formalmente no final de 2015, tem como um dos seus objetivos promover a colaboração entre empresas e instituições interessadas em economia da energia e sensibilizar a opinião pública e os decisores políticos e económicos para estas matérias.

O Prémio Pordata Inovação é uma iniciativa que pretende incentivar o desenvolvimento de indicadores inovadores que representem uma mais-valia para a compreensão e conhecimento das dinâmicas da sociedade. A 3ª vaga deste concurso está a decorrer, sendo o período para apresentação de propostas até 23 de maio de 2017.

Da análise da base de dados e dos indicadores que aí se apresentam podem ser retiradas conclusões muito interessantes como por cada milhão de euros do PIB, Portugal reduziu, em 2014, as emissões de gases com efeito de estufa para praticamente metade do valor de 1995, tal como mostra a tabela seguinte.

Mais ainda nos últimos 20 anos, todos os países da UE28 registaram uma diminuição das emissões de gases com efeito de estufa por cada milhão de euros do PIB, onde a Roménia foi o país que registou maior redução, em termos relativos, nas emissões de gases com efeito de estufa face à riqueza criada. Portugal encontra-se no grupo de países com a variação mais baixa, ou seja, que registou menor redução em termos relativos. Isso mesmo se verifica na análise de dados da tabela seguinte evidenciando-se a taxa de variação percentual por país entre 1995 e 2014.

Descontando o nível de diferença de preços entre países (PPS) em 2014, Portugal é o 9º país da UE28 com menor emissão de gases com efeito de estufa face à riqueza gerada (PIB). Já os países da UE28 com maior emissão de gases com efeito de estufa face à riqueza criada (PIB) são a Estónia, Bulgária e Polónia, por oposição à Suécia, França e Áustria. Denote-se ainda o facto de que por cada milhão de euros da riqueza criada, o consumo de energia final na UE28 reduziu para metade entre 1995 e 2015 e que felizmente todos os países da UE28 têm registado um decréscimo da sua dependência do consumo de energia face á riqueza criada.

Descontando o efeito da diferença de nível de preços entre países (PPS), em 2015, a Finlândia é o país da UE com maior consumo de energia final face ao PIB: o seu valor é quase o dobro da média da UE28 (143 tep versus 74 tep). Os dados revelam que Portugal faz parte do grupo de países com menor consumo de energia final por cada milhão do PIB em PPS, ocupando a 7ª posição do ranking, em 2015. Uma das informações avançadas pela Pordata, após análise dos novos dados é que, descontado

o efeito da diferença de nível de preços entre países, em 2015, Portugal fazia parte do grupo de países com menor consumo de energia final por cada milhão do PIB e ocupava a 7.ª posição da lista que tinha a Finlândia com o maior consumo. A figura seguinte evidencia os resultados.

Nota: PPS = Paridade de Poder de Compra Padrão (PPS): PPS é a sigla de Purchasing Power Standard, uma moeda fictícia que significa «paridade de poder de compra padrão» em português. Serve para comparar os níveis de bem-estar e de despesa entre países, anulando a diferença dos níveis de preços. Os valores expressos em PPS indicam em que país o poder de compra é mais elevado, por exemplo, uma vez que esta moeda fictícia permite comprar exactamente a mesma quantidade de produtos em qualquer país.

Uma outra vantagem dos dados agora disponíveis na Pordata é permitir uma análise sectorial. Os sectores da indústria e dos serviços registam em todos os países da UE uma diminuição no consumo de energia final face à riqueza gerada por cada um destes sectores (VAB), entre 1995 e 2015. Valor Acrescentado Bruto e´ o valor bruto da produção deduzido do custo das matérias-primas e de outros consumos no processo produtivo. No sector agrícola e piscatório, nos últimos 20 anos alguns países registam um aumento do consumo de energia final face à riqueza criada por esse sector (VAB), incluindo-se neste grupo Portugal.

Outro dos indicadores disponíveis refere-se ao rácio entre o consumo de energia eléctrica, medido em toneladas equivalentes de petróleo, e o PIB (euros). Nos últimos 20 anos, todos os países da UE28 registaram uma diminuição no consumo de electricidade por cada milhão de euros de riqueza criada (PIB). Portugal, tanto em 1995 como em 2015, apresenta uma dependência do consumo de electricidade face à riqueza criada superior à média da EU. Já a Lituânia foi o país que registou um maior decréscimo no consumo de electricidade por cada milhão de euros do PIB. O sector da agricultura e pescas é o sector económico que tem evidenciado acréscimos nos últimos 20 anos, no consumo de electricidade face à riqueza gerada por esse sector (VAB). Portugal não é excepção, tendo o seu valor praticamente duplicado entre 1995 e 2015. Em Portugal, entre 1995 e 2015, o único sector onde se registou uma diminuição no consumo de electricidade face à riqueza criada (VAB) foi no sector da indústria, apesar de este continuar a ser aquele que regista uma maior dependência do consumo de energia eléctrica por milhão de euros de riqueza gerada (VAB).

Será ainda de referir que dos dados agora disponibilizados, e descontando o efeito da diferença de nível de preços entre países (PPS) a Finlândia é, em 2015, o país da UE com maior consumo de electricidade face ao PIB: o seu valor é 2,5 vezes superior à média da UE28 (40 tep versus 16 tep). Portugal regista, em 2015, um valor superior à média da UE28, ocupando a 13ª posição no ranking dos países com maior consumo de electricidade face à riqueza criada (PIB). Pelo contrário, em 1995, Portugal era o 3º país com menor consumo de energia eléctrica face à riqueza gerada (PIB), a seguir à Itália e ao Chipre.

A Intensidade energética de produção de renováveis da economia (tep / milhões de euros) é um indicador que consiste num rácio entre a produção de energia primária renovável, medido em toneladas equivalentes de petróleo, e o PIB (euros). A produção primária existe quando os recursos naturais são explorados na sua forma bruta. A posterior transformação já não se inclui nesta produção primária. Podemos ler este indicador como, se em Portugal (2015) = 28.9, então, em 2015, por cada milhão de euros do PIB, houve 29 tep de produção de energia primária renovável. Os dados indicam que entre 1995 e 2015 a produção de energia primária renovável por milhão de euros de riqueza criada (PIB) diminuiu em Portugal 21%. A tabela seguinte resume os resultados em termos de taxas de variação percentuais entre 1995 e 2015.

Por último, podemos referir que descontando o efeito da diferença de nível de preços entre países (PPS) Portugal é o 8º país da UE28 com maior produção de energia primária renovável face à riqueza criada, valor superior à média da UE (23 tep versus 14 tep), em 2015. A Letónia e a Finlândia são os países da UE28 com maior produção de energia primária renovável face ao PIB em 2015.

Artigo de:

Mara Madaleno (Universidade de Aveiro - UA), Júlia Seixas (Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Lisboa), Marta Ferreira Dias (UA) e Margarita Robaina (UA) da APEEN – Associação Portuguesa de Economia da Energia