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Aplicações de acompanhamento menstrual podem induzir as mulheres em erro

Sociedade

Carlos Barria/ Reuters

Muitas mulheres consultam aplicações de acompanhamento menstrual em alternativa ao uso de métodos contracetivos. A sua eficácia neste sentido é questionável e um estudo norte-americano veio confirmar as suspeitas

As aplicações para acompanhar o ciclo menstrual são muito populares, mas escondem o que pode transformar-se num problema. É que estes calendários são muitas vezes utilizados em alternativa aos métodos contracetivos, por indicar qual o período fértil.

Mas, se a descarga destas aplicações aumentou, as dúvidas sobre a sua eficácia e segurança também. Um estudo da Universidade de Washington (EUA) concluiu que a utilização destas apps pode induzir as mulheres em erro.

Os investigadores analisaram 687 pessoas, juntamente com dados de 2 mil análises de nove aplicações de acompanhamento menstrual. Os resultados demonstraram que nenhuma foi 100% fiável na precisão das informações.

"Os participantes não sentiram que as aplicações fossem boas para apoiar as suas necessidades e preferências pessoais", disse Daniel Epstein, principal autor do estudo.

As aplicações não detetam situações em que, por alguma circunstância, a mulher não teve o período, como tomar um antibiótico. O que interfere com os algoritmos da aplicação e, consequentemente, com as indicações que vai revelar ao utilizador.

"As aplicações são mais fiáveis para pessoas com períodos menstruais muito, muito regulares. Mas quem mais precisa de orientações são as pessoas com períodos irregulares", afirma o co-autor do estudo, Nikki Lee.

Os participantes também indicaram que estas aplicações eram sexistas, nomeadamente pelo layout ser cor-de-rosa na maioria dos casos. O facto das aplicações excluírem utilizadores transsexuais e presumirem que o utilizador é heterossexual também foram fatores apontados.