Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Mais uma razão (surpreendente) para tomar ácido fólico durante toda a gravidez

Sociedade

  • 333

© Alex Lee / Reuters

Um novo estudo mostra que as mulheres que tomaram suplementos de ácido fólico durante toda a gravidez tiveram filhos que revelaram posteriomente maior inteligência emocional do que aquelas que só o fizeram durante os primeiros três meses

Durante as primeiras doze semanas de gestação, as mulheres grávidas devem tomar 0,4 miligramas de ácido fólico por dia. É esta a recomendação comum para evitar a formação de espinha bífida e promover um desenvolvimento saudável do cérebro do feto. Porém, um grupo de investigadores da Universidade de Ulster, no Reino Unido, decidiu estudar quais os efeitos da utilização prolongada da vitamina – que pode ser encontrada de forma natural em vegetais de folhas verdes, como o espinafre – durante a gravidez. E os resultados foram, pode dizer-se, surpreendentes.

Vinte e duas mães tomaram os suplementos de ácido fólico durante toda a gravidez e outras dezanove apenas durante os primeiros três meses. A estas últimas, foi-lhes dado um placebo após as primeiras doze semanas.

Tony Cassidy, professor na Universidade de Ulster, realizou depois entrevistas com as crianças quando tinham sete anos de idade. Na conferência anual da Sociedade Britânica de Psicologia, a decorrer esta semana, disse ter observado níveis mais elevados de inteligência emocional, resiliência, e ainda um vocabulário mais vasto nas crianças cujas mães estiveram os nove meses da gravidez sob o efeito dos suplementos de ácido fólico, quando comparadas com as crianças que nasceram de uma gravidez em que o suplemento de ácido fólico apenas esteve presente nos primeiros três meses.

O docente diz esperar os mesmos resultados em estudos posteriores, de modo a ser seguro aconselhar ácido fólico além do período inicial. "Não há evidência para qualquer desvantagem relacionada com as doses que as pessoas estavam a tomar. A única evidência de algo prejudicial tem a ver com doses excessivas. Tendo isto em mente, é possível que cresçam as provas de que há efeitos benéficos e, como tal, as mães devem continuar a tomar as doses recomendadas [além dos três meses de gestação]", afirmou o professor.

Para Tony Cassidy, os benefícios do ácido fólico observados no estudo não têm, para já, uma causa atribuída. Apesar disso, acredita que terá a ver com uma aceleração do desenvolvimento da linguagem no cérebro. Para o investigador, se há um melhor desenvolvimento da linguagem a nível cerebral, haverá também uma melhor comunicação das crianças com os pais, o que leva a uma maior interação entre as duas gerações. E daqui surgirá, consequentemente, a maior inteligência e estabilidade emocional observada nos mais novos.

O próximo passo na agenda dos investigadores será o estudo de crianças com idades situadas nos dez anos.