Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Cientistas fazem "cut/paste" inédito e conseguem eliminar vírus da sida

Sociedade

  • 333

Um grupo de cientistas conseguiu, pela primeira vez, erradicar o VIH do organismo de animais vivos usando uma técnica de edição genética

Um dos obstáculos enfrentado pelos cientistas que têm tentado eliminar por completo a presença do VIH é a sua capacidade de se esconder em reservatórios latentes. Mas agora, um grupo de investigadores dos EUA garante ter conseguido apagar completamente o ADN do vírus da sida dos ratos infetados.

Esta é a primeira vez que cientistas conseguem a eliminação total em animais, alimentando a esperança de vir a conseguir replicar os resultados em humanos, sobretudo porque para esta experiência foi usado um modelo "humanizado": as células infetadas implantadas nos ratos eram humanas.

A investigação, publicada esta quarta-feira, foi conduzida pelas universidades de Temple e Pittsburgh e segue-se a uma anterior, do ano passado, em que a mesma equipa conseguiu apagar o VIH-1 do genoma da maioria dos tecidos.

Liderado por Wenhui Hu, que se congratula com a eficácia da sua estratégia de edição genética - CRISPR/Cas9 -, o estudo usou três grupos de roedores. O primeiro, foi infetado com o VIH-1, o segundo com o equivalente nos ratos ao VIH-1 e o terceiro recebeu um enxerto de células humanas infetadas com o vírus.

No tratamento do primeiro grupo, os cientistas conseguiram desativar geneticamente o VIH-1, reduzindo a expressão dos genes virais até 95 por cento. O segundo grupo apresentava um desafio acrescido: o vírus mais capaz de se espalhar e multiplicar rapida e violentamente. A técnica CRISPR/Cas9 revelou-se eficaz no bloqueio da replicação viral e na potencial prevenção de uma infeção sistémica. Chegados ao modelo humanizado, os investigadores conseguiram, com um só tratamento com a referida estratégia de edição genética, remover completamente os fragmentos virais das células humanas infetadas e implantadas nos tecidos e órgãos dos ratos.

"O próximo passo será repetir o estudo com primatas", avança Khalili.