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E se a poluição do ar passar para o sangue, envenenando-o?

Sociedade

Andreas Rentz/ Getty Images

Um estudo concluiu que há nanopartículas no ar que, uma vez inspiradas, passam para a corrente sanguínea, onde se acumulam até três meses

Os combustíveis fósseis produzem grandes quantidades de partículas minúsculas que são libertadas para o ar. Quando respiramos, essas partículas tóxicas podem passar, através dos pulmões, para a corrente sanguínea e danificar vários órgãos.

Embora alguns estudos apontassem para a poluição como causa de doenças cardíacas e mortes prematuras- cerca de 7 milhões por ano, em todo o mundo - não era conclusivo se as partículas mais pequenas podiam passar para o sangue. Um novo estudo, realizado pela Universidade de Edimburgo (Reino Unido), concluiu que é possível.

Para a investigação, foram observados 14 voluntários saudáveis e 12 pacientes cirúrgicos que inalaram nanopartículas de ouro. Posteriormente, foram feitas análises ao sangue e urina, onde se verificou que as mini partículas permaneciam até três meses.

A presença de nanopartículas na corrente sanguínea e a sua acumulação em áreas inflamadas dentro do corpo "fornece um novo mecanismo pode explicar a ligação entre nanopartículas e doenças cardiovasculares", revelam os investigadores.

O professor Jeremy Pearson, diretor médico associado da British Heart Foundation, que financiou o estudo, alertou para os efeitos da poluição na saúde: "Não há dúvida que a poluição do ar é mortal e este estudo é um passo em frente para desmistificar como este problema prejudica a nossa saúde cardiovascular."

"São necessárias mais pesquisas para definir este mecanismo e consolidar as evidências, mas estes resultados enfatizam que devemos fazer mais para impedir que as pessoas morram por doenças cardíacas provocadas pela poluição do ar", acrescenta.

"Se as partículas de ouro refletem o impacto das partículas de carbono libertadas pelos automóveis, então o aumento da produção de partículas das novas tecnologias de motores é razão de grande preocupação", diz o professor Frank Kelly, especialista em saúde ambiental no King's College, em Londres, citado pela agência Reuters.