Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Dor de cabeça? A culpa pode ser do uso excessivo de analgésicos... para a dor de cabeça

Sociedade

FRANCK FIFE/ Getty Images

À volta dos olhos, no pescoço ou no meio do crânio são algumas das localizações comuns das dores de cabeça. O instinto é, muitas vezes, tomar comprimidos, mas, ironicamente, estes podem tornar-se a causa e não a solução

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Cefaleias, a cefaleia é o termo utilizado para designar um desconforto ou dor de cabeça. Mas existem 14 tipos de cefaleias e mais de 200 subtipos, sendo a enxaqueca dos mais comuns. Classificam-se , em dois tipos: cefaleias primárias e secundárias. As primeiras, trata-se da doença em si e são as mais comuns. As segundas são sintomas de doenças do sistema nervoso ou de outros órgãos do corpo humano.

"Não devemos ficar alarmados com a dor esporádica, mas com o aumento de frequência ou intensidade, nessa situação deve consultar um especialista", diz Jesus Porta-Etessam, neurologista e diretor da Fundação do Cérebro da Sociedade Espanhola de Neurologia, ao diário El País.

Não há necessidade de viver com a dor crónica, diz o médico. "O que nós [médicos] aconselhamos é que os pacientes não recorram à automedicação e ao abuso de analgésicos", acrescenta.

Segundo um estudo de 2008, a cefaleia por abuso de analgésicos (tanto os mais comuns, como os opicáceos) é a terceira dor de cabeça mais frequente (depois da cefaleia de tensão e a enxaqueca) e mais comum em mulheres com cerca de 50 anos.

Este tipo de dor é bilateral, opressivo e de intensidade leve ou moderada, podendo apresentar características comuns à enxaqueca, como a intolerância à luz e as náuseas.

De acordo com a mesma investigação, os critérios usados para definir o abuso de analgésicos são o consumo durante um mínimo de 10 dias por mês durante três meses de alcalóides ergóticos, triptanos, opicáceos (os três usados frequentemente no tratamento da enxaqueca) ou que sejam uma combinação de analgésicos simples, como a codeína e a cafeína com o paracetamol; o consumo durante pelo menos 15 dias por mês durante três meses de analgésicos simples.

Outros tipos de dor de cabeça mais comuns:

Dor na nuca e tensão em torno da cabeça

A cefaleia de tensão é das mais frequentes, com maior tendência entre os 30 e os 40 anos. Identifica-se por se sentir pressão em alguns pontos da cabeça - nomeadamente o músculo temporal, que move a mandíbula -, a parte de trás da cabeça e o pescoço. Muitas vezes está relacionada com casos de ansiedade e depressão.

Palpitações em metade da cabeça

As enxaquecas são mais incidentes em mulheres entre os 20 e os 50 anos e muitas vezes é uma herança genérica, que pode agravar em casos de obesidade.

Este tipo de cefaleia identifica-se com dores pulsantes, em metade da cabeça, que estão associadas ao desconforto causado pela luz e pelo som.

Os casos de enxaqueca crónica - com ataques em mais de oito dias por mês - aumentaram nos últimos anos e é considerada das dores mais incapacitantes que existem.

Neuralgias idiopáticas

São descargas energéticas na testa e nos lábios. Em 90% dos casos, a causa é um vaso sanguíneo que choca com o nervo trigémeo e provoca esse impulso de dor.

Geralmente, afeta mulheres com mais de 60 anos e em 65% dos casos o tratamento com medicamentos é suficiente, não sendo necessário recorrer a uma cirurgia.

Dor intensa nos olhos, congestão nasal e olhos lacrimejantes

A cefaleia em salvas, como é conhecida, identifica-se com uma dor em torno do olho que pode durar entre 30 minutos a três horas, ou tornar-se crónica e durar semanas. Provoca congestão nasal e olhos lacrimejantes.

Afeta mais homens do que mulheres, com idades entre os 25 e 45 anos e, segundo um estudo da Fundación del Cerebro e da Asociación en Racismos Ayuda (ACRA), que observou pacientes da Europa, América Latina e Canadá, 50% dos pacientes não recebem tratamento adequado.

Dor de cabeça e sensação de escutar água

Estes sintomas tem aumentado em mulheres jovens que enfrentam problemas de obesidade e pode ser alarmante, diz Porta-Etessam.

"Uma dor em toda a cabeça, opressiva, por vezes acompanhada pela sensação de ouvir água dentro da cabeça e perder a vista momentaneamente se se levantar rapidamente. Se não for tratada precocemente, 40% das mulheres corre o risco de ficar cegas" alerta o médico.

Dor explosiva depois do sexo

A cefaleia orgástica é mais comum em homens, entre os 40 e 50 anos. Esta dor está incluída no grupo de "cefaleias por esforço físico" e identifica-se por uma dor intensa, que pode chegar a ser sentida em toda a cabeça, causada pela atividade sexual.