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Como as maratonas podem ser letais, mesmo para quem não está a corrê-las

Sociedade

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Spencer Platt/ Getty Images

Que uma maratona pode ser um evento perigoso para atletas que não estejam preparados não é uma surpresa, mas estes eventos podem representar um risco até mesmo para quem não tem qualquer interesse em cruzar a meta dos 42km da prova

Evandro Furoni

Uma investigação publicada na revista científica New England Journal of Medicine, mostra que as pessoas que precisem de atendimento médico urgente podem ser prejudicadas caso na sua cidade esteja a decorrer uma maratona.

O estudo mostra que os cortes de trânsito e os congestionamentos em dias de maratona podem resultar em atrasos, que, por sua vez, podem ser fatais para os pacientes.

Para esta análise, os investigadores comparados os dados de 11 cidades dos Estados Unidos que foram sedes de maratonas entre 2002 e 2012. Pessoas que sofreram ataques cardíacos em dias de competição tiveram uma taxa de óbito 13% maior do que em outros dias durante as semanas anteriores. As ambulâncias também demoraram 4,4 minutos a mais para chegarem até os hospitais durante as maratonas.

"Nós estávamos a esperar potenciais atrasos nos atendimentos, mas não necessariamente nos óbitos. É muito difícil afectar os óbitos, é necessário um atraso substancial no atendimento", considera Anupam Jena, uma das responsáveis pela investigação, em declarações à Time.

O aumento do número de turistas e a possibilidade de os hospitais ficarem superlotados durante os dias de evento foram levados em consideração, mas não influenciaram no resultado final. O que afetou também a taxa de mortalidade foi, isso sim, o próprio comportamento das vítimas. Um quarto das pessoas decidem deslocarem-se pelos próprios meios até ao hospital quando sentem um mal-estar em dias de eventos, pois pensam que as ambulâncias então concentradas em atender potenciais necessitados na maratona. Ao fazê-lo, o tempo de atraso aumenta muito mais do que os tais quatro minutos.