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Transtorno de stress pós-traumático afinal é uma doença sistémica

Sociedade

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Estudo revela que stress pós-traumático não é apenas uma condição psicológica, mas sim uma doença sistémica uma vez que afeta o sistema imunitário

Maria Leonor Centeno

Um novo estudo, publicado pelo Medical Journal of Australia, conclui que os adultos com transtorno de stresse pós-traumático têm uma maior probabilidade de sofrer de distúrbios do sono, ter problemas gastrointestinais, doenças cardiovasculares e outras patologias.

Os investigadores consideram que este tipo de transtorno é sistémico, afetando vários órgãos, e não apenas uma condição psicológica. Este distúrbio surge em pessoas que foram vitimas, que testemunharam atos violentos ou estiveram em alguma situação traumática que representasse uma ameaça à sua vida. Quando a pessoa se recorda do acontecimento revive o episódio como se estivesse a acontecer naquele momento, desencadeando assim alterações neurofisiológicas e mentais. Esta doença é particularmente comum entre pessoas que estiveram na guerra.

Para entender de que forma é que esta doença é sistémica, a equipa de investigação teve que analisar 298 veteranos australianos, que lutaram na Guerra do Vietname, com idade entre os 60 e os 88 anos. Todos os participantes foram submetidos a avaliações psicológicas a fim de identificar quaisquer sintomas relacionados com esta doença neurológica. Foram igualmente recolhidos dados sobre a presença de 171 outras condições de saúde. Dos veteranos analisados, concluiu-se que 108 sofria de stress pós-traumático (TSPT) e 106 não, apesar de também terem sido expostos ao trauma.

Percebeu-se ainda que o número de patologias era maior entre os veteranos com TSPT, e incluía problemas gastrointestinais, hepáticos, cardiovasculares, respiratórios e distúrbios de sono.

"A maior frequência de patologias indica que o TSPT deve ser considerado não como uma desordem puramente mental, mas como uma desordem sistémica", sublinha Alexander McFarlane, diretor do centro de estudos de stress traumático da Universidade Adelaide. O especialista reforça assim que os tratamentos baseados apenas em acompanhamento psicológico não estão adequados a estes pacientes.

"A eficácia limitada das intervenções psicológicas em pessoas com TSPT, particularmente em populações de veteranos, reforça a necessidade de se desenvolverem terapias biológicas que abordam a subjacente desregulação neurofisiológica e do sistema imunitário associada ao stress pós traumático" conclui.