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Espécies de peixes do Pacífico escapam para terra, fugindo aos predadores

Sociedade

Sara Sá

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Cientistas australianos observaram evolução dos peixes da família Blenniidae, que estão a adaptar-se à vida fora da água

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Aconteceu há 400 milhões de anos e parece estar a acontecer novamente. Espécies de peixes, da família Blenniidae estão a adaptar-se à vida fora do mar, para escapar aos predadores.

Parece ser ponto assente que os antepassados do homem vieram da água. A dada altura - à volta de 400 milhões de anos - uma espécie de peixe mudou-se para o ambiente terrestre, fazendo das barbatanas, patas. A teoria ganhou força quando em 2006 foi encontrado no Ártico o fóssil de um animal, denominado então de tiktaalik, que combinava características de peixe com as de animal terrestre.

Não estava no entanto muito claro qual o motor desta fuga. Ou seja, que vantagem viria da mudança do ambiente marinho para a terra firme. Agora, cientistas australianos, da Universidade de New South Wales, podem ter encontrado uma razão.

Para o perceber, puseram-se a estudar espécies de pequenos peixes, com o corpo em forma de salsicha, que habitam várias ilhas do Pacífico. Da família dos Blenniidae, estes animais tendem a mudar-se para as rochas quando a maré sobe, regressando à água na maré baixa. Enquanto estão alojados nas rochas, os peixes chapinham em pequenas poças, saltitam, apoiados nas barbatanas, e respiram através da pele. Parecem perfeitamente adaptados a este habitat. O que os move? A fuga aos predadores, concluem os cientistas.

Usando modelos de plástico, espalhados pela água, percebeu-se que no mar a probabilidade de serem devorados, por peixes maiores carnívoros, é três vezes maior do que em terra. Sendo que nas rochas as principais ameaças são as aves marinhas. Além disso, os buracos nas rochas também são um bom sítio para pôr os ovos e as algas que crescem nas pedras uma boa fonte de alimento.

“Se nunca olharmos por cima da vedação, nunca percebemos que a erva é mais verde do lado de lá. No entanto, se formos forçados a fugir de alguma coisa, podemos então apercebermo-nos dos benefícios e isso pode levar-nos a querer ficar do lado de lá e a adaptarmo-nos", ilustra Terry Ord, o principal autor do estudo, feito em Rarotonga, nas Ilhas Cook, ao falar para a revista New Scientist.

O cientistas defende assim que boa parte dos processos adaptativos, que implicaram mudança de habitat, possa ter origem na fuga aos predadores, mais ainda do que na busca por alimento.