Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Como uma investigação para um jornal da escola levou à demissão da diretora

Sociedade

Reprodução Twitter

Podia ser o argumento de um filme, mas aconteceu na realidade. O que começou com um simples perfil da nova diretora de um liceu de Pittsburg para o jornal da escola acabou por se transformar numa investigação que levou à demissão da recém contratada

A escola secundária de Pittsburg, Kansas, EUA, contratou, no início de março, Amy Roberstson, para o cargo de diretora, com rasgados elogios à sua "experiência extensa e diversificada". Menos de um mês depois, no entanto, o liceu anunciava a demissão da recém-contratada, na sequência de uma investigação de um grupo de alunos para o jornal da instituição, o The Booster Redux. Tudo começou quando Maddie Baden, uma das alunas que colabora com o jornal, se propôs escrever um perfil sobre a nova diretora. O que os estudantes não contavam, nem Emily Smith, a professora orientadora, é que o artigo acabasse pôr em causa as credenciais de Amy Roberstson.

Foram as declarações sobre a sua experiência profissional que suscitaram a curiosidade dos estudantes de jornalismo. "Não batia certo", recorda Emily Smith, ao The New York Times. Depois, a recém-contratada começou a tornar-se cada vez mais evasiva e os jovens perceberam que os seus relatos não coincidiam com a realidade: "Faziam-lhe perguntas diretas, mas ela não respondia diretamente", acrescenta.

Entre os pontos que levarantaram dúvidas aos estudantes estavam as declarações sobre o seu mestrado e o seu doutoramento obtidos, alegadamente, na Universidade de Corllins, que não disponibiliza nenhum endereço onde se possam consultar as acreditações.

Se até aqui os alunos já suspeitavam da veracidade das suas declarações, outros detalhes acentuaram as dúvidas, como foi o caso do bacharelato em Belas Artes que Roberstson alegava ter tirado na Universidade de Tulsa. Após uma investigação, os estudantes concluíram que a universidade não conferia esse grau académico.

Uma vez publicado, o perfil chamou a atenção dos principais órgãos de comunicação social dos EUA e a diretora acabou por se demitir do cargo que acabara de estrear e pelo qual ia receber quase 87 mil euros por ano.

O superintendente da escola, Destry Brown, elogiou o trabalho dos alunos: "Eu acredito fortemente nos nossos jovens que questionam coisas e não acreditam apenas no que lhes dizem."