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Poderá este homem estar preso injustamente? Conheça os factos e participe no questionário

Sociedade

Empreiteiro de 72 anos foi condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio de um estucador - seu colega e amigo, em abril de 2012. Numa altura em que cumpriu já um terço da pena, continua a clamar inocência. Conheça a história do terceiro episódio de Vidas Suspensas, segunda-feira, na SIC

Luís Lopes, 72 anos, foi condenado a 15 anos e meio de prisão por homicídio. Já cumpriu um terço da pena. Continua a garantir que está inocente.

Luís Lopes, 72 anos, foi condenado a 15 anos e meio de prisão por homicídio. Já cumpriu um terço da pena. Continua a garantir que está inocente.

Cenário do crime

Francisco Baptista, dono de uma empresa de estuques, foi assassinado no interior da carrinha VW que usava diariamente. Era colega e amigo de Luís Lopes há mais de 30 anos

Francisco Baptista, dono de uma empresa de estuques, foi assassinado no interior da carrinha VW que usava diariamente. Era colega e amigo de Luís Lopes há mais de 30 anos

Dentro da carrinha estava uma pasta com 3600 euros em salários. Não foi levada pelo homicida

Dentro da carrinha estava uma pasta com 3600 euros em salários. Não foi levada pelo homicida

Carrinha de caixa aberta estava parada na berma da estrada, a 1km das bombas de gasolina do Alandroal

Carrinha de caixa aberta estava parada na berma da estrada, a 1km das bombas de gasolina do Alandroal

Vítima: Francisco Baptista, 64 anos, estucador
Crime: homicídio à queima roupa com arma de fogo desconhecida
Local: Corpo encontrado no interior da carrinha da vítima na Estrada Nacional 373. VolksWagen branca de caixa aberta estava a 1km das bombas de gasolina do Alandroal. Não há sinais de paragem brusca.

O encontro entre vítima e suspeito

Vítima e condenado tinham uma relação profissional de três décadas.

Francisco Baptista geria uma empresa de estuques. Era frequentemente contratado por Luís Lopes, um empreiteiro de Elvas que - ao longo de 50 anos de profissão, construiu largas centenas de apartamentos e vivendas na zona do Alentejo e Lisboa.

Na altura do crime, Luís Lopes devia quase 5 mil euros a Francisco Baptista. Lopes garante que nunca foi pressionado a pagar mas terá sido também por isso que decidiram marcar um encontro no dia em que Francisco Baptista foi assassinado.

A tese da defesa

Luís Lopes assegura que tinha acabado de deixar um empregado numa vivenda que estava a construir, em Elvas, quando recebeu uma chamada de Francisco Baptista um minuto depois das duas da tarde. Combinaram encontrar-se na Quinta do Bispo, a 5 minutos de distância. "Cheguei, dei um toque na buzina e disse para ele vir comigo", recorda o antigo empresário.

Garante que a vítima conduzia a Volkswagen branca acompanhado de outro homem que não conseguiu identificar. Assegura apenas que "era de Leste".

Daqui, seguiram em carros separados - um atrás do outro - , para ver a obra que Luís Lopes iria iniciar na Quinta Espanhola. Foi aí, de acordo com a tese da defesa, que o empreiteiro entregou ao estucador o envelope com os 4900 euros que tinha em dívida.

O dinheiro terá sido guardado no porta-luvas da carrinha mas nunca foi encontrado.

A tese da Polícia

A investigação policial corrobora que Francisco Baptista e Luís falaram telefonicamente às 14h01. Porém, os inspectores da PJ defendem que os dois homens combinaram encontrar-se no cenário do crime, na Estrada Nacional 373 (e não na Quinta da Espanhola).

AS PEÇAS SOLTAS

O local do encontro

Antes de ser atingido com cinco disparos à queima-roupa, a vítima esteve no gabinete de contabilidade. A contabilista confirma a visita e acrescenta que Francisco Baptista lhe disse que iria, a seguir, ao encontro de Luís Lopes, para verem umas obras que iriam fazer em conjunto. Acontece que Luís Lopes só tinha projectos em Elvas e o carro é encontrado no Alandroal.

A pista de Leste

No processo judicial surgiu entretanto uma denúncia anónima relatando que o homicida seria um indivíduo de leste . A denúncia inclui o nome, fotografia e número de passaporte do eventual suspeito. Contudo, não foi levada a cabo qualquer diligência para verificar a veracidade desta declaração.

O sangue no relógio

O relógio de Luís Lopes foi a única a prova incriminatória por aí ter sido detectada uma "mistura de vestígios biológicos, da qual não pode ser excluído Francisco Baptista "

O relógio de Luís Lopes foi a única a prova incriminatória por aí ter sido detectada uma "mistura de vestígios biológicos, da qual não pode ser excluído Francisco Baptista "

Nas buscas efectuadas em casa de Luís Lopes, a Polícia Judiciária recolheu o objecto que viria a tornar-se a prova do crime: o relógio de pulso do construtor civil. De acordo com o relatório pericial "havia uma mistura de vestígios biológicos da qual não podem ser excluídos [os de] Francisco Baptista e Luís Lopes".

O condenado, hoje com 72 anos, explica que "não é estranho que haja ADN e até podia haver nalguma peça de roupa". Garante que quem trabalha na construção está habituado a sofrer pequenos cortes e lesões provocados pelo manuseamento de material.

A própria sentença, ditada pelo Tribunal do Redondo, concluiu que o facto de os vestígios estarem misturados “impede a afirmação científica absoluta de que o sangue pertence a um ou a outro”. Não obstante, concluiu a sentença, "a razão humana funda a clara convicção de que o sangue encontrado no relógio é de Francisco Baptista"

Desta forma, condenou Luís Lopes a 15 anos e meio de prisão pelo crime de homicídio.

"Vidas Suspensas" é um programa de informação, da SIC, da autoria da jornalista Sofia Pinto Coelho, que aborda casos de pessoas que, por questões relacionadas com a justiça, se encontram com a vida em suspenso. Este programa semanal de 8 episódios, emitido senalmente, às segundas-feiras, logo a seguir ao Jornal da Noite, seguido de um debate em direto na sic.pt