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Bombeiros têm mais um perigo a juntar à longa lista de riscos: os ataques cardíacos

Sociedade

Rui Duarte Silva

Basta ver as imagens de combate a um grande incêndio para se perceber porque esta é uma das profissões mais perigosas do mundo. Mas um novo estudo mostra que os bombeiros têm também maior probabilidade de sofrer ataques cardíacos graças ao calor extremo

Maria Leonor Centeno

Um novo estudo, publicado esta semana na revista científica americana Circulation, avança que os bombeiros têm uma maior probabilidade de ter ataques cardiacos e o grupo de investigadores da Universidade de Edimburgo conseguiu perceber que a explicação está no calor extremo que enfrentam.

Para esta investigação, foram analisados 19 bombeiros saudáveis, na Escócia. Os participantes foram submetidos a dois exercicíos de simulação de incêndio, com uma semana de intervalo, e que consistiam em resgatar uma "vitíma" de uma estrutura de dois andares enquanto estavam expostos a uma temperatura de 400ºC. A pressão arterial dos bombeiros foi monotorizada durante 30 minutos antes do exercicío e 24 horas após.

Depois dos exercícios, foram também colhidas amostras de sangue e através destas análises a equipa descobriu que o risco de coagulação sanguínea aumentou em resposta ao esforço físico e a temperaturas demasiado altas.

De acordo com o autor principal da investigação, Nicholas Mills, a pulsação, o ritmo, a força e a duração dos impulsos elétricos que passavam por cada parte do coração demonstram um esforço cardíaco que pode significar uma falta de sangue a chegar ao músculo cardíaco. "Essas condições duras podem causar lesões no músculo cardíaco em bombeiros saudáveis e podem explicar o risco de ataques cardíacos", diz.

"A baixa pressão arterial imediatamente após a retirada do fogo deve-se à desidratação e ao aumento do sangue que é desviado para a pele para ajudar o corpo a arrefecer. Descobrimos que a temperatura corporal central aumentou, em média, quase 2 graus Fahrenheit (cerca de 1ºC) durante 20 minutos. E o aumento da hemoglobina ocorre quando o corpo perde água e o sangue fica mais concentrado", explica Mills.

Apesar de este estudo ter sido focado especificamente em bombeiros e destinado a explicar a suscetibilidade face a problemas cardíacos, os resultados obtidos foram mais além. Os investigadores entendem que qualquer pessoa que seja submetido a temperaturas extremas deve dedicar algum tempo a reidratar-se e arrefecer.