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Empresa transferiu células estaminais para outra e só depois informou os pais que vai fechar atividade em Portugal

Sociedade

© Robert Galbraith / Reuters

Bioteca transportou amostras para outra empresa de criopreservação, escolhida por si, e a seguir enviou a comunicação aos clientes

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Os pais que contrataram a Bioteca para preservar as células estaminais dos seus filhos estão a ser informados da transferência das amostras para outro laboratório, de outra empresa, já depois do transporte ter sido efetuado. Numa carta dirigida por e-mail aos clientes, a Bioteca comunica que decidiu “não continuar a atividade em Portugal” e que chegou a acordo com a Crioestaminal, “que, após a transferência das amostras para as suas instalações, assumirá as responsabilidades contratuais relativamente às amostras guardadas na Bioteca”.

Acontece que a carta, a que a VISÃO teve acesso, está datada de hoje, 2 de abril, e surge na sequência das queixas dos trabalhadores da empresa, noticiadas pelo Correio da Manhã, sobre a forma como todo o processo foi conduzido. Citados pelo jornal, os trabalhadores alegam que, além de não ter existido aviso prévio aos pais, foram “obrigados a disponibilizar” a “pessoas estranhas à empresa e sem formação na área” uma série de “procedimentos internos confidenciais relativos à monitorização dos contentores e das bases de dados dos clientes”.

O transporte das amostras, que o CM adianta ter sido ocorrido ontem, foi realizado “sem a intervenção dos responsáveis técnicos da Bioteca”, denunciam ainda os trabalhadores. A própria Bioteca, na carta hoje enviada aos pais, confirma que, “a partir do dia 1 de abril, as amostras guardadas na Bioteca serão transferidas para o Laboratório da Crioestaminal”, em Cantanhede. Os cerca de 20 mil clientes são também informados que “a operação está a ser coordenada com a Direção Geral da Saúde”, “com recurso a todas as técnicas e procedimentos necessários para garantir a segurança das amostras”.

A Bioteca, que segundo os trabalhadores se encontra em processo de insolvência, está associada ao grupo CryoSave, que se apresenta no site oficial como “o mais experiente, fiável e tecnologicamente avançado banco de células estaminais na Europa” e diz estar presente “em mais de 30 países em seis continentes”. Na explicação aos pais que a escolheram para criopreservar as células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical dos filhos, a Bioteca expõe os motivos que levaram à escolha da Criostaminal para a substituir, sem justificar, no entanto, o porquê de não os ter informado previamente. Atualmente, os custos do serviço em Portugal oscilavam entre os 1300 e os 1700 euros.

A VISÃO contactou ontem a Bioteca, mas até ao momento não houve resposta. No entanto, a administração da CryoSave Portugal fez-nos chegar, esta segunda-feira, um esclarecimento em que diz que a informação da transferência das células estaminais da Bioteca para um laboratório de outra empresa foi enviada "a toda a comunicação social nacional na passada sexta-feira", dia 31 de março. Quanto à notificação aos pais, os mais interessados, de que fala o artigo, a CryoSave admite que "está a decorrer e ficará concluído hoje um processo de mailing de informação", ressalvando que "está a ser um processo moroso devido ao número de emails que estão a ser enviados, mais de vinte mil".

A CryoSave Portugal esclarece ainda que pertence ao grupo Esperite e que a Bioteca não é uma empresa subsidiária mas uma subcontratada com a qual a CryoSave mantinha uma "relação de cooperação".

(artigo atualizado às 11h53 desta segunda-feira, 3 de abril, com os esclarecimentos da CryoSave Portugal)