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O que precisa de saber sobre a saúde dentária dos seus filhos em sete pontos

Sociedade

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Sean Gallup/ Getty Images

Saiba ao que é que deve estar atento em relação aos dentes das drianças

Sara Soares

Nos primeiros anos de vida dos filhos, os dentes dão muitas dores de cabeça aos pais. Para ajudar a esclarecer algumas questões e preocupações e para clarificar eventuais equívocos, Sofia Arantes e Oliveira, médica dentista e membro do Conselho Diretivo da Ordem dos Médicos Dentistas, deixa aqui sete pontos sobre as práticas corretas no cuidado dentário das crianças.

1 - A primeira ida ao dentista deve acontecer...

... logo que nasçam os primeiros dentes.

"Quando os primeiros dentes temporários (ou «de leite») erupcionam ou, no máximo, até à criança completar o primeiro ano de vida, de modo a estabelecer, juntamente com os pais, um programa preventivo de saúde oral e intercetar hábitos que possam ser prejudiciais para uma boa saúde oral. Idealmente, quando existe uma boa saúde oral, a criança deve ser observada a cada seis meses. Em situações de elevado risco de cárie, esta periodicidade deve ser reduzida para intervalos de três meses."

2 - A vulnerabilidade dos dentes das crianças surge...

... pela sua própria vulnerabilidade.

"Seja em crianças ou adultos, a vulnerabilidade dos dentes tem origem, na maior parte dos casos, da presença de restos de alimentos na cavidade oral, que formam uma película na superfície dos dentes. Esta película será, por sua vez, colonizada por bactérias presentes na cavidade oral, que a vão metabolizar e dar origem a ácidos que degradam as estruturas mineralizadas como os dentes. Esta doença é a cárie dentária. Nas crianças, a propensão para uma alimentação rica em hidratos de carbono com uma fraca higiene oral, muitas vezes originada pela dificuldade das crianças em higienizarem os seus dentes sozinhas, provoca uma vulnerabilidade acrescida."

3 - Os cuidados de saúde oral infantil devem começar...

... mesmo antes de nascerem os primeiros dentes.

"Devem começar com conselhos pré-natais aos futuros pais sobre a importância de manter uma boa saúde oral. Os cuidados de saúde oral infantil devem ser vistos como a base para uma educação preventiva, que proporcione as condições normais para um ótimo crescimento, desenvolvimento e funcionamento. Mesmo antes da erupção dos dentes, devem limpar-se as gengivas do bebé com uma gaze humedecida com água, pelo menos uma vez ao dia, preferencialmente à noite, bem como estabelecer hábitos corretos de alimentação. Logo que os primeiros dentes erupcionem, deve fazer-se a sua higiene com uma gaze, dedeira ou escova macia, idealmente após as refeições."

4 - As crianças devem abandonar as chupetas...

... aos três anos.

"Os hábitos de sucção não nutritiva (chupeta, por ex.) devem ser abandonados até cerca dos três anos de idade, atendendo à possibilidade de autocorreção de desarmonias no desenvolvimento das arcadas dentárias. Relativamente ao biberão, o hábito deve ser abandonado, idealmente, quando a criança completar um ano."

5 - As crianças podem começar a fazer a sua higiene oral sozinhas quando...

... quando ganharem destreza.

"As caraterísticas da escovagem numa criança estão dependentes de vários fatores, mas essencialmente da idade da mesma. Por regra, se uma criança não tem destreza suficiente para apertar os sapatos também não terá destreza suficiente para escovar corretamente os dentes sozinha. Até a aquisição dessa destreza, deverá ser dada a oportunidade da criança experimentar a escovagem, mas esta deve ser sempre terminada pelos pais. Se o dentífrico já tiver flúor, este deve ser manipulado pelos pais de forma a não ser colocado em demasia.

De acordo com as normas da Direção-Geral da Saúde, em crianças dos 3-6 anos a quantidade de dentífrico fluoretado deverá ser semelhante ao tamanho da unha do 5º dedo da criança e em crianças maiores que 6 anos a quantidade de dentífrico fluoretado deverá ser do tamanho de uma pequena ervilha ou até 1 cm de dentífrico."

6 - Ter cáries na idade infantil traz consequências no futuro?

Sim.

"As crianças com dentes saudáveis têm uma boa nutrição e crescimento, aprendem a falar de forma mais correta e facilmente, têm mais confiança na sua aparência, têm um melhor desenvolvimento dos ossos maxilares, com menor propensão para a malposição dos dentes definitivos. Por outro lado, o desenvolvimento de cáries nos dentes temporários existe devido a maus hábitos de higiene oral e nutrição que se não forem corrigidos prejudicam a dentição definitiva. Finalmente, infeções originadas por lesões de cárie nos dentes temporários prejudicam a formação do dente definitivo que o vai substituir, e que se encontra em desenvolvimento dentro dos ossos maxilares, em estreita relação com o dente temporário."

7 - As cáries são cada vez mais frequentes nas crianças?

Os últimos dados dizem que não.

"Em Portugal, o III Estudo Nacional das Doenças Orais aos 6, 12 e 18 anos, desenvolvido pela Direção-Geral da Saúde, em parceria com a Ordem dos Médicos Dentistas, apresentado em 2015, mostra uma evolução favorável da saúde oral nas várias faixas etárias até aos 18 anos.

As conclusões deste estudo revelam que entre os anos 2000 e 2013, o número de cáries dentárias diminuiu 21% nas crianças de seis anos. No ano 2000, apenas 33% das crianças com seis anos estavam livres de cáries, valor que subiu para 54% em 2013. Uma evolução semelhante regista-se nas crianças de 12 anos, em que 53% não tinha cárie dentária. Esta melhoria da situação de saúde na dentição permanente em crianças e jovens com menos de 18 anos resulta não só da redução dos níveis de doença, mas também do aumento da resposta às suas necessidades curativas. Aos 12 anos, a média de dentes cariados por criança baixou 50%, o que significa uma redução da doença e que 2 em cada 3 dentes cariados estão tratados.

Embora a incidência de cáries dentárias tenha diminuído em Portugal nos últimos anos, há ainda um caminho a percorrer, em especial na primeira infância, para se atingirem as metas preconizadas pela Organização Mundial da Saúde para 2020, na dentição temporária."