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Quando a comida cai ao chão, a regra dos cinco segundos faz sentido?

Sociedade

Reuters

Se deixarmos cair uma bolacha ao chão e a apanharmos rapidamente podemos comê-la? Um chão de mosaico é mais perigoso do que uma alcatifa? E há alimentos que se contaminam facilmente?

Esta semana a pergunta voltou a ser feita e não foi em tom de gozo. Para quem julga que a teoria dos cinco segundos é apenas um mito, fique desde já a saber que ela tem sido estudada por vários cientistas, também eles interessados em descobrir em quanto tempo um alimento que caia ao chão é contaminado com eventuais bactérias. O estudo de Anthony Hilton, professor de microbiologia aplicada na Universidade de Aston, no Reino Unido, é só o mais atual.

Apresentado esta semana, durante a Big Bang Fair, uma celebração da ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em Birmingham, nele se conclui que a aplicação da regra depende diretamente das características dos alimentos e do chão em causa.

Doces, massa cozinhada e donuts, por exemplo, não deverão estar mais do que cinco segundos em contacto com o chão. Mas sanduíches, batatas fritas, tostas, torradas secas e biscoitos podem estar até meia-hora, sem qualquer problema. Quanto ao chão, uma alcatifa é muito mais segura do que mosaicos.

Seguindo o senso comum, os investigadores perguntaram-se sempre se as características do chão eram uma variável importante. Logo no primeiro estudo que se conhece, realizado em 2003, com gomas e amostras de E.coli (responsável pelas salmonelas), Jillian Clarke, uma finalista de liceu que estava a fazer um curso de verão na Universidade do Illinois, nos Estados Unidos, descobriu que os mosaicos mais ásperos propiciavam mais facilmente a passagem de bactérias. E, em 2007, Paul Dawson, da Universidade de Clemson, na Carolina do Sul, concluiu que um alimento que caísse numa alcatifa tinha 1% de hipóteses de ficar contaminado, contra 70% no caso de o chão ser de mosaico.

O interesse dos cientistas não é disparatado, percebe-se ao conhecer os resultados do inquérito que Anthony Hilton realizou para sustentar a pertinência da sua investigação: quatro em cinco pessoas (79%) admitiram comer alimentos que caíram ao chão; mais de metade dos inquiridos (56%) pensam que é aceitável se tiver sido no chão da própria cozinha. Já comer pipocas que tenham caído no cinema só acontece a 2% das pessoas.

E, claro, quando lhes perguntaram o que as leva a arriscar, um quinto (21%) respondeu que aplica sempre a regra dos cinco segundos.