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Estarão os jovens a substituir as drogas pelos smartphones?

Sociedade

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© / Reuters

Consumo de drogas entre os jovens decresceu nos últimos anos, enquanto a utilização de smartphones e outros aprelhos tecnológicos aumentou

O boom dos smartphones e dos tablets aconteceu no mesmo período em que a utilização de drogas decresceu. Será esta uma simples coincidência ou existe uma relação entre as duas? Por ser intrigante e, no mínimo, curiosa, esta hipótese está a ser colocada por muitos investigadores e há já quem se queira dedicar ao seu estudo.

É o caso do Instituto Nacional do Abuso de Drogas, dos EUA. Dentro de poucos meses, uma equipa irá reunir-se para começar a investigação. Nora Volkow, diretora do instituto, diz que a sua curiosidade se intensificou quando leu os resultados da “Monitoring the Future", uma sondagem financiada pelo governo.

De acordo com a sondagem, no último ano, a utilização de drogas ilicitas que não a marijuana atingiu o valor mais baixo dos últimos 40 anos para alunos que frequentam o 8º, 10º e 12º anos. Quanto à marijuana, a descida só se verifica entre os alunos do 8º e do 10º – no caso do 12º, apesar de consumirem mais marijuana, o uso de cocaína, alucinogénios, ecstay e crack desceu e o de LSD manteve-se estável. Até a heroína, que se tornou moda entre algumas comunidades adultas, desceu entre os alunos de secundário.

Mais interessante ainda, disse a diretora ao The New York Times, é o facto de este padrão acontecer em todos os grupo: "rapazes e raparigas, escolas públicas e privadas, sem qualquer motivação demográfica em particular". "Algo está a passar-se", acredita.

Para Silvia Martins, uma investigadora brasileira contactada pelo jornal nova iorquino, esta é uma hipótese bastante plausível. "Os jogos de vídeo e as redes sociais preenchem a necessidade de encontrar novas sensações e atividades", diz.

Mas há também quem discorde, como Sion Kim Harris, diretora do Centro de Investigação do Abuso de Substâncias na Adolescência, no Hospital Infantil de Boston. Harris tem esperança de que as campanhas públicas de alerta para os perigos do consumo de drogas tenham sido um fator importante para este declínio e desconsidera o papel das tecnologias.

Apesar de tudo, os investigadores concordam que a tendência para o decréscimo se deverá manter. Mas dizem também que é preciso continuar a estudar e a investigar, para perceber as razões do declínio.