Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Infarmed alerta para riscos de medicamento campeão de vendas

Sociedade

  • 333

DR

Os medicamentos contra a acidez do estômago, omeprazol e afins, são os mais vendidos no mundo rico. E há quem os tome anos a fio. Mas tudo tem riscos, alerta Infarmed

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Comer além da conta, regar tudo com um bom vinho, deixar assentar estendido na cama. A receita certa para a azia matinal. Mas não há problema. Enfia-se um omeprazol logo ao pequeno-almoço e problema resolvido. Esta é a rotina que faz dos medicamentos anti-ácidos, da classe dos inibidores da bomba de protões, como o omeprazol ou lansoprazol, um campeão de vendas em todo o mundo rico.

Este consumo generalizado dos reguladores da acidez do estômago está a criar sérias preocupações nas autoridades de saúde. Inclusivamente à entidade portuguesa Infarmed, que acabou de lançar uma campanha de alerta para os riscos associados ao consumo dos medicamentos para a acidez do estômago.

No último ano venderam-se sete milhões de embalagens, num crescimento de 30% relativamente ao ano anterior, o que é um claro sinal do abuso destes medicamentos, que podem ser comprados sem receita médica. Na maior parte dos casos, o que leva à toma destas substâncias é o refluxo gastroesofágico, que causa azia e irritação do estômago, que é precisamente uma das indicações. Só que o problema é as pessoas tomarem o medicamento durante meses ou até anos. Nos últimos anos, tem aparecido fortes evidências de que o uso a longo prazo não está livre de riscos. Sabe-se para já que favorece as infeções gástricas (parece que fazer baixar o nível de acidez do estômago permite que um certo tipo de bactérias, Clostridium difficile, cresça e se multiplique); aumenta o risco de fratura da anca, ao alterar a eficácia na absorção de certas vitaminas. Mais recentemente, dois estudos publicados em revistas científicas de referência dão conta de um aumento no risco de demência, em particular de Alzheimer e ainda de danos renais.

Por tudo isso, hoje a indicação a nível internacional é a de não tomar estas substâncias durante mais de 14 dias e isso nos casos agudos. O Infarmed sugere alternativas a esta classe de medicamentos, referindo que não se deve deixar de os tomar subitamente, mas sim de uma forma gradual. Além do conselho de consultar o médico.

Alternativas aos inibidores da bomba de protões, recomendadas pelo Infarmed, todas de venda livre: Alka- Seltzer, Tums, Rennie Digestif, Kompensan, Pepsamar, Leite Magnesia Philips.

Também há formas de evitar o problema da acidez gástrica, dispensado a toma de medicamentos:

- Evitar café, álcool, bebidas com gás, fritos e outras gorduras, mentol, chocolate e citrinos, alimentos ricos em aditivos, conservantes e especiarias

- Não fazer refeições muito pesadas, não vestir roupa apertada, não se deitar no espaço de três horas após a refeição