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Viagra associado a menor risco de morte em quem já sofreu ataque cardíaco

Sociedade

Novo estudo na Suécia diz que ter uma vida sexual ativa e tomar medicamentação contra a impotência, depois de um ataque cardíaco, pode aumentar a esperança média de vida

Tomar medicamentos para a impotência depois de um ataque cardíaco pode reduzir o risco de morte em 33 por cento. A conclusão é de um estudo - a apresentar na próxima sexta-feira, 17, durante o 66º encontro científico anual do American College of Cardiology, em Washington (EUA) - que, ao contrário de estudos anteriores, concluiu que os homens que tomavam este tipo de medicamentos nos anos seguintes ao ataque cardíaco tinham menor risco de morrer ou de vir a ter insuficiência cardíaca do que os que não tomavam.

Ao acompanharem mais de 43 mil homens, num período médio de 3,3 anos, o grupo de investigadores percebeu que os homens a quem foi prescrito um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5) – um medicamento utilizado para a disfunção erétil conhecido como Viagra, Levitra, Cialis, entre outros –, depois do primeiro ataque cardíaco, evidenciaram uma probabilidade de morrer 33% menor.

"Este tipo de tratamento para a disfunção erétil é benéfico em termos de prognóstico e ter um vida sexual ativa parece ser um indicador de uma diminuição do risco de morte", referiu Daniel Peter Andersson, investigador do Instituto Karolinska, na Suécia, um dos autores do estudo.

Do grupo analisado, a apenas 7% dos homens foi receitado um medicamento para a disfunção erétil – na esmagadora maioria desses casos, foi prescrito o inibidor PDE5 e, em apenas 8%, o alprostadil. Depois de considerados os riscos de diabetes, insuficiência cardíaca e AVC, os dados permitiram concluir que as pessoas que tomavam o inibidor PDE5 tinham uma probabilidade marcadamente menor de morrer do que quem tomava alprostadil ou não tomava qualquer medicamento do género.

Além disso, a toma do inibidor PDE5 foi também associada a uma probabilidade 40% menor de hospitalização por insuficiência cardíaca, em comparação com os homens a quem não foram prescritos estes medicamentos.

Apesar dos benefícios sugeridos pela análise de uma larga franja da população sueca, Daniel Peter Andersson salienta que o uso de medicamentos para a disfunção erétil pode ser, simplesmente, um indicador de uma vida sexual mais ativa, o que, por si só, pode ser um indicador de um estilo de vida também ativo e contribuir para uma maior esperança de vida.

"Nós achamos que a vida sexual ativa é, provavelmente, um indicador de um estilo de vida saudável, especialmente numa faixa etária mais velha – entre os 70 e os 80 anos. Na perspetiva de um médico, se um doente quer tomar um medicamento para a disfunção erétil depois de um ataque cardíaco e não tem contraindicações para o inibidor PDE5, com base nestes resultados, pode sentir-se seguro ao prescrevê-lo", acrescentou o investigador.