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Fontes de financiamento do Santuário de Fátima

Sociedade

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Luis Barra

O reitor guarda segredo sobre a gestão económico-financeira da instituição. Ainda assim, os dados disponíveis ajudam a tirar o retrato

Propriedades

Duas casas de retiros (Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Dores); dois espaços para peregrinos (Centro Pastoral Paulo VI e residência de São Bento Labre); duas lojas de artigos religiosos; 90 postos de venda nas pracetas São José e Santo António, onde cobra “rendas simbólicas”, entre os 9 e os 34 euros mensais; uma livraria; um pequeno posto de vendas em Aljustrel (aldeia dos pastorinhos); 14 parques de estacionamento para uso gratuito por parte dos peregrinos.

Ofertas / doações

Em 1998, o reitor Luciano Guerra garantia que o comércio de artigos religiosos e a venda de velas proporcionava “um rendimento significativo” ao santuário. “O resto” a grande fatia “são as doações e as ofertas dos peregrinos”, assumia, explicando: “O santuário desde sempre recebeu objetos de ouro e outros metais e pedrarias preciosas. Não grandes quantidades mas, anualmente, sempre são alguns quilos”. Quando havia necessidade, fundiam-se as peças, “preservando o que há de valor, sob o ponto de vista histórico e artístico”. Em 25 anos de exercício de funções, Luciano Guerra admitia: “Houve algumas doações importantes, verdadeiras pequenas fortunas.” Estavam nesse caso famílias que ofereceram todas as suas joias e várias propriedades ao santuário. Segundo o atual reitor, Carlos Cabecinhas, a partir de 2014, o santuário registou “uma estabilização nas ofertas dos peregrinos”.

Investimentos

O santuário não fornece dados sobre investimentos e o financiamento das muitas instituições sociais e eclesiais em Portugal e no estrangeiro. “A gestão económico-financeira é auditada por diversas comissões e por auditores externos”, justifica o reitor, lembrando que “alguns atos de gestão carecem da aprovação do bispo de Leiria-Fátima” e as contas “são apresentadas e submetidas à aprovação do Conselho Nacional do Santuário de Fátima, que integra diversos elementos da Conferência Episcopal Portuguesa”. Para Carlos Cabecinhas, não existe um problema de transparência. “Parece-nos que há mecanismos suficientes para garantir uma gestão responsável e controlada dos bens do santuário”, justifica. “Posso assegurar que as ofertas dos peregrinos se destinam exclusivamente a duas finalidades: sustentar os vários serviços e estruturas de acolhimento e apoio dos peregrinos, bem como garantir uma vasta ação de ajudas sociais a muitas instituições”