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Eis os ecossexuais, gente que faz sexo com a Natureza

Sociedade

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© Andy Clark / Reuters

Sabe-se que o ambientalismo é uma paixão para muita gente. Mas, para alguns, essa paixão é literal, e a ligação com a natureza tem contornos mais… íntimos. Essas pessoas chamam-se a si próprias ecossexuais. E sim, fazem sexo com a Natureza

“Por um lado, engloba pessoas que tentam usar artigos eróticos mais sustentáveis, ou que gostam de nadar e fazer escalada nus. Por outro, há quem rebole na terra, enquanto tem um orgasmo, coberto de substrato vegetal.” Assim descreve a ecossexualidade a professora Amanda Morgan, da Universidade do Nevada, em Las Vegas, EUA. Ao site noticioso VICE, a académica, envolvida no movimento, falava no final do ano passado sobre uma comunidade que, diz, tem vindo a crescer.

Mas nem só de "sexo" se faz a ecossexualidade. Há quem vá mais longe e chegue a casar com entidades naturais. O matrimónio é flexível: pode ser com a lua, com o mar, com o carvão, com a neve… As cerimónias são oficiadas por Annie Sprinkles e Elizabeth Stevens, duas artistas de São Francisco que impulsionaram o movimento ecossexual nos Estados Unidos. E lideram pelo exemplo: já produziram um documentário que explica a sua relação “a três” com os Apalaches, uma cordilheira americana.

O compromisso com a Natureza pode variar muito. Para uns, significa agir de forma mais verde no que diz respeito ao sexo. Stefanie Iris Weiss, uma escritora nova-iorquina, explicou num livro publicado em 2010 como alguns dos produtos eróticos que usamos, como os preservativos ou os lubrificantes, podem ter um impacto ambiental negativo.

Para outros, passa por começar a ver a Terra “como uma amante, e não como uma mãe”, descreve Stephens. Esse é, até, um passo fulcral para a salvar, acrescenta Amanda Morgan. “Se chateares a tua mãe, é provável que ela te perdoe. Se tratares mal a tua amante, ela acaba contigo.” É uma sexualidade vivida muito a sério - há quem faça sexo com árvores ou se masturbe por baixo de cascatas, garante Morgan.

Para os interessados, está disponível no site de Stephens e Sprinkles o “manifesto do Ecossexo”. Descreve a comunidade como “louca e ferozmente apaixonada” pela Terra. E não pedem exclusividade: os ecossexuais também podem ser heterossexuais, gays, assexuais (neste caso, Stephens diz que passa só pelos sentimentos, sem o lado físico). O que importa é serem “pólen-amorosos”.

Na Austrália, parece haver uma comunidade empenhada. No final de janeiro, um balneário ecossexual em Perth ofereceu aos naturistas “que gostam de se sujar” a oportunidade de “mergulhar num labirinto de encontros íntimos e interação sensorial” com a biosfera.

Por cá, ainda não parece haver muitos ecossexuais. Segundo a Google Trends (que avalia as tendências de pesquisa nesse motor de busca), o termo só começou a ser mais procurado em Portugal a partir de setembro do ano passado. Há pouca expressão da comunidade ecossexual portuguesa, mas os mais curiosos poderão sempre ver o “monólogo poético” de António Silva sobre o amor com a natureza. Atenção: esta curta-metragem, de 2015, não é adequada a menores de idade.