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De "lava-pratos" a gestor de um dos melhores restaurantes do mundo

Sociedade

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Rene Redzepi, chef e dono do Noma, anunciou que, após remodelação, o seu restaurante terá três novos sócios

© Yuya Shino / Reuters

O dinamarquês Noma, considerado, por quatro vezes, o melhor restaurante do mundo, promoveu um ajudante de cozinha a gestor

Ali Sonko, de 62 anos, será o um dos novos gestores do restaurante dinamarquês mundialmente conhecido Noma, que já conta com duas estrelas Michelin e que já foi considerado, por quatro vezes, o melhor restaurante do mundo. Esta decisão está a encher as manchetes dos jornais um pouco por todo o mundo. Porquê? Porque, nos últimos 14 anos, Sonko foi um ajudante de cozinha no restaurante, cuja função era simples: lavar a loiça.

Nunca aspirou a uma subida destas na carreira e diz que até prefere lavar pratos a ter uma conversa sobre política, admite ao The New York Times. No entanto, está muito feliz por ser um dos sócios do restaurante. Quando reabrir no final do ano, o Noma terá três pessoas à frente da gerência, anunciou Rene Redzepi, Chef e um dos donos do restaurante: Lau Richter, James Spreadbury e Ali Sonko.

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Depois do anúncio, Sonko foi entrevistado por todos os canais de televisão dinamarqueses, algo que não estava nada à espera. Nos Estados Unidos da América, o público também ficou surpreendido com esta notícia. Lá, explica o The Washington Post, quem lava a loiça não merece o mesmo respeito na hierarquia dos restaurantes como acontece no Noma.

Sonko não só é o mais bem pago, como é também uma das pessoas mais respeitadas dentro do restaurante, ao nível do Chef e do Sous Chef, explica Rene Redzepi. A dedicação ao trabalho, os valores éticos e a personalidade envolvente, diz, tornaram-no uma das pessoas mais queridas no restaurante, pouco importando o cargo.

Da primeira vez que o Noma ganhou o título de melhor restaurante do mundo, em 2010, Sonko não pôde viajar com a restante equipa para a entrega do prémio, que decorria em Londres. Segundo a CNN, Sonko não conseguiu o visto para fazer a viagem. Mas, ainda assim, esteve presente: o staff do Noma levava o rosto sorridente de Sonko estampado nas camisolas.

O novo gestor do Noma mudou-se da Gambia, o seu país natal, para a Dinamarca há 34 anos, depois de se ter apaixonado por uma dinamarquesa, durante umas férias que passou no país. Agora, com 12 filhos, diz passar com eles todo o tempo livre que tem. Com esta promoção, Sonko "tornou-se, instantaneamente, uma símbolo poderoso do sucesso imigrante num país que é cada vez mais visto como inospitaleiro para os imigrantes", escreveu o The New York Times.

O Noma, que fechou as portas no mês passado, tinha a cozinha nórdica como a grande inspiração. Agora, vai mudar-se para uma nova localização e, quando reabrir, vai ter um novo menu. Até lá, Rene Redzepi promete mais surpresas para os funcionários do restaurante.