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Como o nome pode influenciar o nosso rosto

Sociedade

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FREDERIC J. BROWN/ Getty Images

"Diz-me como te chamas, dir-te-ei como pareces"? Um estudo recente descobriu que pode não ser coincidência haver caras que parecem encaixar mesmo nos nomes

"Chamas-te Sara? Realmente tens mesmo cara de Sara", "José? Não diria! Não tens nada cara de José", "Chamam-te Fred? Bom, com essa cara não podiam chamar-te outra coisa". Familiar?

Claro que os nomes dependem dos gostos de quem os escolhe, geralmente os pais. No entanto, um novo estudo sugere a possibilidade de existirem parecenças físicas entre as pessoas que têm o mesmo nome, partindo da assunção de que a carga social e os estereótipos culturais associados ao nome podem definir a aparência física e facial, particularmente.

Muitas vezes, as caras das pessoas "encaixam" nos seus nomes e, quando isso não acontece, parece que algo está errado, porque tendemos, universalmente, a estereotipar os nomes e a associá-los a certas expressões ou traços faciais. Ao longo do tempo, isto pode ter um efeito cultural real na aparência física, segundo a American Psychological Association.

O estudo feito na Universidade Hebrew em Jerusalém, vai ao encontro desta ideia e obteve resultados verdadeiramente inovadores neste âmbito: concluiu-se que as pessoas são surpreendentemente capazes de acertar corretamente no nome de alguém olhando apenas para o seu rosto e que é possível programar computadores com determinados algoritmos para que eles identifiquem os nomes de determinadas faces.

Ao The Huffington Post a investigadora responsável pelo estudo, Yonat Zwebner, explicou: "Sabemos como pertencer a um género específico pode ter um impacto social estruturante, mas agora sabemos que até o nosso nome, que é escolhido por outros e não é biológico, pode influenciar a forma como interagimos com a sociedade".

Para este trabalho, foram recrutados centenas de participantes israelitas e franceses para adivinharem o nome de alguém, segundo uma lista de quatro ou cinco opções de nomes. Os participantes foram mais bem sucedidos a descobrir o nome de alguém do que um sistema aleatório: 40% de probabilidades de acertar no nome de alguém através da imagem da pessoa, mesmo considerando que havia imagens de indivíduos de todas as idades, etnias e estratos socioeconómicos. Os resultados foram culturalmente adaptados: os participantes israelitas ligaram as caras aos nomes israelitas e os franceses identificaram os nomes de rostos de franceses.

Numa outra fase do estudo, os investigadores usaram um algoritmo informático, com nomes e fotografias faciais de mais de 94 mil pessoas, para um computador poder identificar os traços dos nomes e este método foi substancialmente mais eficaz a ligar caras a nomes do que o sistema aleatório.

Embora a ideia seja rebuscada, realmente os estereótipos culturais, reforçados pelos personagens de filmes, séries ou livros, podem aumentar a nossa capacidade de associar pessoas a nomes. E os bebés, que mudam muito de cara ao longo do tempo, sugere o estudo, podem adaptar-se àquilo que os estereótipos esperam deles.

"Se um nome pode influenciar a aparência, pode, então, afetar muitas outras coisas, e esta pesquisa abre um caminho importante em que se sugere que os pais devem ter em consideração os nomes que dão aos seus filhos", disse Zwebner acrescentando que os pais podem preencher o estereótipo e reforçá-lo ou negá-lo, tal como a na educação que dão aos filhos relativamente aos estereótipos de género.

Importa ainda dizer, a título de exemplo, que outras investigações anteriores na área já tinham confirmado a estereotipização com base nos nomes - Por exemplo, há mais facilidade em associar o nome Bob a pessoas com uma cara mais redonda do que o nome Tim.