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Dores nas costas associadas a morte prematura

Sociedade

Quem sofre desta patologia tem mais 13% de probabilidades de vir a morrer precocemente por qualquer causa. Falámos com Paulo Ferreira, um dos investigadores do estudo que explica como se processa a relação

Embora seja um problema recorrente, não deve ignorar as suas dores nas costas. Já há algum tempo que os estudos têm vindo a examinar uma redução da esperança média de vida associada a dores na coluna numa população envelhecida.

Mas, agora, um grupo de investigadores da Universidade de Sydney descobriu a relação entre os índices de mortalidade e as dores de costas, através da análise feita a 4390 gémeos entre os 70 e os 102 anos.

O estudo, publicado no European Journal of Pain, observa a prevalência das dores nas costas (dor genérica na lombar ou dor de costas "aguda") na amostra analisada e compara-a com o registo de mortalidade. Segundo os investigadores, "as pessoas mais velhas que reportam dores na coluna têm um risco de mortalidade 13% mais elevado por ano mas a relação não é causal".

Embora não haja uma relação direta também "não são variáveis independentes", explica Paulo Ferreira, professor brasileiro, há 14 anos na Austrália, e um dos autores do estudo, acrescentando que as dores nas costas criam um efeito dominó que tem um impacto negativo na nossa saúde e aumenta a probabilidade de uma morte prematura.

Em declarações à VISÃO, Paulo Ferreira diz tratar-se de uma sucessão de eventos: "a dor lombar pode levar a outras consequências como a inatividade física, diabetes ou doenças cardiovasculares - todos estes fatores estão associados à mortalidade". Além disso, acrescenta que muitas vezes as dores nas costas estão associadas a uma falta de qualidade do sono, o que afeta também a nossa saúde.

A resolução passa, sobretudo, por intervir ao nível do estilo de vida. "Praticar uma atividade física moderada, melhorar a qualidade do sono, socializar e manter um suporte adequado da família e dos amigos", recomenda Paulo Ferreira. Sobretudo porque nem os analgésicos conseguem conter efetivamente o problema. O Ibuprofeno, por exemplo, não resulta com certas dores nas costas, segundo um outro estudo australiano divulgado este mês - só 1 em 6 pacientes experienciam um alivio da dor com medicamentos não sujeitos a receita médica.

(Artigo escrito por Carolina Bernardo Pereira)