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Vem aí o primeiro curso privado de Medicina

Sociedade

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Gonçalo Rosa da Silva

O acordo entre a Universidade de Maastricht, a Católica e o Grupo Luz Saúde para o desenvolvimento do Campus de Cascais é assinado esta sexta-feira. Uma decisão que não conta com o apoio do novo bastonário nem da Associação Nacional de Estudantes de Medicina

Foi anunciado com pompa e circunstância: este 24 de fevereiro de 2017 fica para a História, lê-se no comunicado enviado às redações, como a data em que foi assinado o acordo para a criação do primeiro curso privado de Medicina em Portugal. Será às 11 horas desta sexta-feira que, no Centro Cultural de Cascais se realiza a cerimónia de assinatura do acordo para o desenvolvimento do Campus de Cascais da tão desejada Faculdade da Ciências da Saúde da Universidade Católica, em colaboração com a Universidade de Maastricht e o Grupo Luz Saúde.

Trata-se de um projeto internacional de Medicina, que se diz único em Portugal, baseado num modelo de aprendizagem baseada em problemas, e que aquela universidade holandesa desenvolve com sucesso há 50 anos, totalmente lecionado em inglês.

Ainda não é o lançamento da faculdade, como insiste o gabinete de comunicação da Católica, mas é já um primeiro passo para um projeto há muito desejado – pelo menos desde 2004 que se conhece essa intenção.

Além disso, todos os anos, há dezenas de alunos que não conseguem vaga em Portugal e optam por ir estudar medicina para o estrangeiro: só na República Checa, e as contas são de junho do ano passado, licenciaram-se 2 mil alunos nos últimos 20 anos.

O número tem sido usado como argumento a favor de uma nova faculdade, ao que a Ordem dos Médicos sempre contrapôs que não há falta de vagas; pelo contrário, acreditam, há até excesso de novos médicos, motivo porque muitos não conseguem acabar a especialização. O novo bastonário, Miguel Guimarães, assumiu defender a mesma posição logo no manifesto de candidatura.

A opinião é ainda partilhada pela Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) que, em março do ano passado, entregou ao governo uma proposta para, em cinco anos, reduzir de 1800 para 1300 o número de estudantes de medicina por ano.

Em causa está, defendem os estudantes de medicina, a qualidade da formação médica, o que pode vir a ter implicações na qualidade dos serviços de saúde da população.

"Desde há dois anos que há graduados sem especialidade feita, tal é quantidade de médicos em formação", sublinha Rita Ramalho, estudante da Faculdade de Medicina do Porto e presidente da ANEM, depois de precisar que "neste momento temos oito escolas médicas, o que corresponde a 0,54 por milhão de habitantes, um rácio já superior à média europeia".